Presidente sírio nega intenção de construir bomba atômica
Agência EFE
SÍRIA - O presidente sírio, Bashar al-Assad, afirmou que seu país não tem intenção de produzir bomba atômica, e negou mais uma vez que esteja construindo uma instalação nuclear de forma clandestina.
Em entrevista ao jornal do Kwait "Al Watan", divulgada hoje no site, Assad advertiu a respeito de um eventual ataque contra o Irã, que é aliado de Damasco.
Segundo ele, um ataque desses "seria muito perigoso" e os países do Oriente Médio "pagariam o preço durante décadas, provavelmente um século".
O governante sírio se referiu, sobretudo, às acusações dos Estados Unidos contra Damasco sobre a construção de um reator nuclear com a ajuda da Coréia do Norte.
Assad acredita que essa afirmação tem como objetivo "encontrar um pretexto" para justificar o ataque israelense de setembro passado contra o território sírio.
Os EUA afirmaram que possuem várias provas, entre elas um vídeo, que demonstram que a Síria construía um reator nuclear com fins militares com a ajuda da Coréia do Norte.
- É ilógico. (Os israelenses) bombardearam uma instalação militar em construção (...) ali não havia ninguém, não havia nada - disse Assad na entrevista, divulgada hoje também no site do jornal sírio "Al Zaura".
- É razoável que exista uma instalação nuclear sem proteção ou antiaéreos? (...) uma instalação nuclear no meio do deserto sírio e em lugar aberto? - questionou o governante sírio, cujo país aderiu em 1970 ao Tratado de Não-Proliferação Nuclear (TNP).
De todo modo, Al-Assad ressaltou que os sírios responderão ao ataque israelense, mas não "bomba por bomba ou míssil por míssil, nem bala por bala".
- Temos outros métodos para responder - completou.
Ao mesmo tempo, disse que Damasco não procura a guerra com Israel.
- Quando se tem uma porta aberta para a paz não se deve buscar a guerra, mas é preciso se preparar para se defender (...) Psicologicamente, nós estamos nos preparando sempre.
Por outro lado, considerou que uma guerra contra o Irã por suas atividades nucleares terá conseqüências muito perigosas, que nenhum país do mundo poderia imaginar.
- Seriam muito perigosas, e não só para os estados árabes do Golfo (Pérsico) e do Estreito de Ormuz (por onde sai um terço do abastecimento de petróleo do mundo) - declarou.
Assad deixou claro, no entanto, que seu país, o único aliado árabe de Teerã, não enviará tropas ao Irã para ajudar esse país caso haja um ataque contra a República Islâmica.
- Apoiamos o Irã durante sua guerra contra o Iraque (1980-88) sem enviar um Exército - lembrou.
Por outro lado, o presidente sírio ressaltou que seu país mantém contatos "sobre as futuras expectativas" no Iraque com vários grupos nacionalistas iraquianos, incluindo o partido Al-Baath, já dissolvido, que governava o país até a derrocada do regime de Saddam Hussein, em 2003.
