China cria superministérios e promete mais reformas
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PEQUIM - A China prometeu aprofundar as reformas políticas, começando pela criação de quatro 'superministérios' encarregados de dirigir setores econômicos importantes e agilizar decisões, informou a imprensa estatal na quinta-feira.
Os líderes chineses há tempos defendem uma reforma política, mas as mudanças são lentas e não apontam para um fim do sistema unipartidário, que segundo eles é o pilar da estabilidade e do desenvolvimento do país.
De acordo com a proposta aprovada pelo Comitê Central do Partido Comunista, o Parlamento, que faz sessão na semana que vem, vai criar superministérios encarregados de energia, indústria, transporte e meio ambiente, de acordo com o jornal Ta Kung Pao, que é editado em Hong Kong, mas controlado pelo governo comunista.
Os superministérios absorveriam dezenas de órgãos às vezes conflitantes, que tornam a administração fragmentada e morosa. A reportagem diz que novas mudanças ainda podem ocorrer.
O texto não cita propostas, previamente discutidas, para superministérios das áreas de finanças e cultura, nem detalha os poderes das novas pastas - o que certamente será motivo de atritos dentro da inchada máquina pública chinesa.
Mas a ata da reunião do PC indica que os líderes chineses, diante de restrições econômicas, da corrupção e da contida insatisfação dos cidadãos, mantém pelo menos a perspectiva de uma mudança política, inclusive dando maior influência ao hoje apático Parlamento, chamado oficialmente de Congresso Nacional do Povo.
- Precisamos aprofundar a reforma do sistema político - diz a ata publicada no Diário do Povo, acrescentando uma rara admissão pública de que há insatisfação popular com o governo.
- Com relação ao desenvolvimento econômico e social do nosso país, e com relação às novas demandas para garantir os direitos democráticos dos cidadãos e proteger a justiça social, nosso sistema político ainda tem muitas partes mal-ajustadas.
Lembrando que há um crescimento constante da 'consciência social' dos chineses, a ata diz que o controle do Partido Comunista permanece essencial, mas que o Parlamento e autoridades não-comunistas devem ser mais ouvidos.
- A reforma política está em discussão há anos, e tenho certeza de que os escalões mais altos vêm pensando nessas coisas mais do que antes - disse Mao Shoulong, da Universidade Popular da China.
Na opinião dele, há mais expectativa de reformas neste ano por causa da realização da Olimpíada de Pequim, em agosto, e dos 30 anos do congresso em que Deng Xiaoping iniciou as reformas econômicas no país.
- Acho que a abordagem (dos dirigentes) é clara: nada de grandes mudanças, mas um sólido ajuste.
