Parentes fazem contagem regressiva para receber reféns das Farc
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BOGOTÁ - Parentes de quatro ex-parlamentares sequestrados na Colômbia pela guerrilha Farc iniciaram na terça-feira a contagem regressiva para a libertação deles, prevista para quarta-feira, após mais de seis anos de cativeiro.
As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia entregarão os políticos Jorge Eduardo Gechem, Orlando Beltrán, Luis Eladio Pérez e Gloria Polanco a uma missão organizada pelo governo da Venezuela. É a segunda vez neste ano que o grupo liberta reféns políticos unilateralmente.
- Estamos felizes, esta noite dormi muito bem. Estou contando as horas e os minutos - disse à Reuters Yolanda Polanco, irmã da ex-parlamentar Gloria Polanco, sequestrada em julho de 2001 junto com dois de seus filhos, quando as Farc invadiram um prédio de apartamentos na cidade de Neiva.
Os dois filhos de Polanco foram soltos em julho de 2004, mediante pagamento de resgate. O dirigente político Jaime Lozada, esposo dela, foi assassinado num ataque atribuído à mesma guerrilha em dezembro de 2005.
- Estamos muito prontos, muito preparados, muito animados, felizes de ver que já teremos poucas horas de distância até conseguir nosso objetivo do encontro feliz - disse Lucy Artunduaga, esposa do ex-senador Gechem, que se encontra doente, segundo relato de duas políticas libertadas em janeiro pelas Farc.
O governo venezuelano informou na segunda-feira ter recebido as coordenadas do lugar onde os reféns serão recolhidos, numa missão humanitária que vai começar na madrugada de quarta-feira.
Os quatro políticos a serem soltos formam parte de um grupo de mais de 40 reféns que as Farc gostaria de trocar por cerca de 500 rebeldes presos.
Entre os reféns está também a ex-candidata a presidente Ingrid Betancourt, cujo sequestro mobiliza a Europa - ela tem cidadania francesa.
Mas as posições radicais do governo e da guerrilha impedem um acordo para encerrar o drama dos reféns, alguns dos quais sequestrados há mais de dez anos no meio da selva.
O governo da Colômbia autorizou a missão humanitária da Venezuela, a ser liderada pelo ministro do Interior, Ramón Rodríguez Chacín.
- O governo colombiano reitera a disponibilidade para iniciar o processo de imediato e assim poder culminar a operação amanhã mesmo - disse uma carta do ministro de Relações Exteriores da Colômbia, Fernando Araújo, a seu homólogo venezuelano, Nicolás Maduro.
Já o comandante do Exército colombiano, general Mario Montoya, disse que as tropas evitarão operações militares num raio de 30 milhas em torno do local da entrega, na selva do Departamento (Estado) do Guaviare.
