EUA não permitem que brasileira ilegal amamente seu bebê na prisão

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Agência EFE

CHARLOTTE (EUA) - Em situação ilegal nos Estados Unidos, uma brasileira acusada de ter roubado um CD em uma loja no estado da Carolina do Norte não está sendo autorizada a amamentar o filho de dois meses enquanto aguarda, presa, por sua deportação ao Brasil.

A brasileira Danielle Ferreira, de 29 anos, foi detida na sexta-feira passada por agentes da Polícia de Charlotte, a cidade mais povoada do estado da Carolina do Norte, enquanto saía do local acompanhada de seu irmão Dennis e de seus dois filhos.

Danielle e o irmão foram transferidos para a prisão do condado Mecklenburg, onde tiveram o status de imigração checado, e foi confirmado que ambos viviam ilegalmente no país.

De acordo com o pastor evangélico Ezequiel Oliveira, amigo da brasileira, no momento em que foi detida, Danielle não sabia que seu irmão havia escondido o disco no carrinho do bebê.

- Pediram uma fiança de US$ 500, mas ela não pôde sair porque não tinha documentos de imigração. Trataram-na como uma criminosa perigosa, separaram-na de seus filhos - disse Oliveira.

A Polícia entrou em contato com Ezequiel Oliveira para que ele fosse buscar o bebê, Samuel, e seu irmão Daniel, de dois anos, antes que fossem entregues ao Departamento de Serviços Sociais da região.

O pastor informou que Samuel chora constantemente, que nem sequer a chupeta consegue acalmá-lo, que está rejeitando o leite em pó, e que seu irmão está triste pela falta que sente da mãe.

- Visitei-a no domingo para ver se conseguia tirar o leite e disseram-nos que faltava uma ordem. Também argumentaram que não havia lugar para depositar o leite. Ela está sofrendo e tem febre - acrescentou Oliveira.

As autoridades da prisão disseram à imprensa que a mãe estava recebendo atendimento médico e que não é permitido amamentar bebês ou retirar leite na prisão sem autorização prévia.

De acordo com o pastor, Danielle havia planejado deixar o país no dia 6 de dezembro.

Tinha comprado as passagens de avião para retornar ao Brasil e ficar junto aos seus familiares, que a ajudarão a cuidar dos filhos, já que é mãe solteira.

- É uma injustiça. As vidas de uma jovem e de um bebê estão em perigo - declarou Maudia Meléndez, ativista da comunidade hispânica.

Meléndez está fazendo trabalhando com as autoridades de imigração e prisão para que libertem a imigrante por 'razões humanitárias'.

Angeles Ortega-Moore, diretora da Coalizão Latino-Americana, disse ao jornal 'The Charlotte Observer' que esta não é a primeira vez que fica sabendo de mães que tiveram pedidos para retirar leite na prisão negados.

O incidente ocorreu alguns dias após o Serviço de Imigração e Alfândega (ICE, em inglês) anunciar que permitirá mulheres grávidas e com bebês lactantes deixarem a prisão sob supervisão.