Dom Odilo Scherer recebe anel cardinalício das mãos do Papa Bento XVI
Agência EFE
CIDADE DO VATICANO - O brasileiro Odilo Pedro Scherer recebeu neste domingo do Papa Bento XVI, junto com os outros 22 cardeais nomeados neste sábado, o anel cardinalício, durante missa solene na qual o Pontífice ressaltou que a obrigação destes é "anunciar ao mundo a verdade de Deus'.
No dia em que a Igreja lembra a festa de Cristo Rei, Bento XVI pronunciou na Basílica de São Pedro uma homilia na qual a cruz foi o eixo central.
O Papa disse que, em Jesus crucificado, se mostra a máxima revelação possível no mundo, 'já que Deus é amor, e a morte na cruz de Jesus é o maior ato de amor de toda a história'.
- No anel cardinalício, está representada a crucificação, e lhes convida a lembrar de que rei são servidores. Com este anel, estão convocados a dar a vida pela Igreja - disse o Pontífice aos novos cardeais.
Em atmosfera solene, Bento XVI disse que a Igreja é depositária do mistério de Cristo 'com toda humildade e sem sombra de orgulho ou arrogância, já que se trata do máximo dom que recebeu, sem mérito algum, e está convocada a oferecê-lo gratuitamente à humanidade de cada época, como horizonte de significado e salvação'.
O Papa destacou que a obrigação dos cardeais é anunciar ao mundo a verdade de Cristo, 'esperança para cada um e para toda a família humana'.
Também disse que, para ele, era 'um motivo de consolo' saber que pode contar sempre com eles para completar o Pontificado.
Após a homilia e diante de aproximadamente 7 mil pessoas que lotavam o templo e cerca de 40 mil que estavam na praça, o Papa realizou a imposição dos anéis.
Inicialmente, o consistório estava previsto para acontecer na Praça de São Pedro, mas, devido ao mau tempo, ocorreu no templo.
- Recebe este anel pelas mãos de Pedro e saiba que, com o amor do príncipe dos Apóstolos, reforça seu amor pela Igreja - pronunciou o Papa em latim, enquanto colocava o anel em cada um dos 23 cardeais, com o Patriarca da Igreja dos Caldeus, Emmanuel III Delly liderando o grupo.
Os novos cardeais receberam o anel e, em seguida, beijaram o anel do Papa.
Bento XVI ressaltou que o anel é 'um signo nupcial, expressão de fidelidade e compromisso em custodiar a Igreja, esposa de Cristo'.
Após receberem o capelo cardinalício e o anel, os cardeais tomarão posse nas próximas semanas das igrejas de Roma que foram atribuídas pelo Papa, que simbolizam a participação desses sacerdotes em zelar pela Cidade Eterna, da qual Bento XVI é Bispo.
Além de Odilo Pedro Scherer, arcebispo de São Paulo, os novos cardeais são os arcebispos espanhóis Agustín García Gasco (Valência), Lluis Martínez Sistach (Barcelona) e o jesuíta Urbano Navarrete.
Os latino-americanos são os argentinos Leonardo Sandri (prefeito regional da Congregação para as Igrejas Orientais) e Estanislao Esteban Karlic (emérito de Paraná), o mexicano Francisco Robles Ortega (arcebispo de Monterrey).
Também foram nomeados os americanos John Patrick Foley e Daniel DiNardo, pró-Grão-Mestre da Ordem Eqüestre do Santo Sepulcro de Jerusalém e arcebispo de Galveston-Houston, respectivamente.
Além deles, estão os italianos Giovanni Lajolo, presidente da Pontifícia Comissão e do Governatorato do Estado da Cidade do Vaticano; Angelo Comastri, arcipreste da Basílica Vaticana, e Raffaele Farina, arquivista e bibliotecário da Santa Igreja Romana.
Os italianos Angelo Bagnasco, arcebispo de Gênova, o núncio apostólico Giovanni Coppa e o ex-reitor da Pontifícia Universidade Lateranense Umberto Betti; o alemão Paul Joseph Cordes, presidente do Pontifício Conselho 'Cor Unum', e o polonês Stanislaw Rylko, presidente do Pontifício Conselho para os Leigos receberam o anel.
Os arcebispos Seán Baptist Brady, de Armagh (Irlanda); André Vingt-Trois, de Paris; Théodore-Adrien Sarr, de Dacar; Oswald Gracias, de Bombaim (Índia) e John Njue, de Nairóbi, também foram nomeados ontem, assim como Emmanuel III Delly, patriarca de Babilônia dos Caldeus.
Com estas nomeações, o Colégio Cardinalício fica formado por 201 cardeais, dos quais 120 podem participar de um eventual Conclave para a escolha do Papa, por ter menos de 80 anos.
Com a cerimônia deste domingo foi concluído o segundo consistório do Pontificado de Bento XVI.
Antes de se despedir, o Papa cumprimentou os fiéis presentes na praça, diante dos quais reiterou a universalidade da Igreja.
