Vítimas da repressão stalinista são homenageadas na Rússia
Agência AFP
MOSCOU - Os antigos presos e sobreviventes dos campos stalinistas se reuniram nesta segunda-feira em Moscou diante da sede do FSB (ex-KGB), na praça de Lubianka, para prestar homenagem aos prisioneiros políticos fuzilados entre 1937 e 1938.
De 10H00 às 22H00 locais (05H00 às 17H00), 150 pessoas lêem uma lista com os 4.000 nomes de pessoas fuziladas na época.
- Em Moscou, aproximadamente 30.000 pessoas foram fuziladas sem terem sido julgadas entre agosto de 1937 e novembro de 1938 - afirmou Sergue¯ Krivenko, um responsável pela ONG russa Memorial de direitos humanos.
No total, cerca de 725.000 prisioneiros políticos foram fuzilados na União Soviética neste período, de acordo com a ONG que ajuda os sobreviventes dos campos stalinistas.
- É a primeira vez que organizamos uma ação como esta para lembrar o 70° aniversário destas repressões - explicou Krivenko.
- Vesselovski Pavel Mikha¯lovitch, 48 anos, diretor de uma confeitaria, fuzilado em 10 de setembro de 1937; Vetlin Grigori Aleksandrovitch, 39 anos, coronel, fuzilado em 1° de julho de 1937"... Assim, os nomes das vítimas do regime stalinista ressoavam de um alto-falante na praça, mas sem chamar muito a atenção dos passantes.
- Hoje em dia, a juventude se interessa pouco pela história e um novo culto, o de Vladimir Putin, está se desenvolvendo - avaliou Galina Smirnova, de 76 anos, que passou cinco anos em um campo na Sibéria, acusada pela criação de uma organização de jovens "anti-soviéticos".
Uma manifestação de ONGs russas está prevista para terça-feira às 18H00 (13H00 de Brasília) neste mesmo lugar por ocasião do Dia do Prisioneiro Político.
O presidente Vladimir Putin deve se dirigir ao monumento levantado em Boutovo, no subúrbio de Moscou, onde mais de 20.000 prisioneiros políticos foram executados e enterrados entre 1937-38.
