Irã endurece posição na véspera de negociação nuclear
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TEERÃ - O Irã não vai abandonar seu direito à tecnologia nuclear, mesmo sob a ameaça de sofrer mais sanções, disse o governo iraniano à França numa carta publicada na segunda-feira, véspera de negociações para tentar acabar com o impasse atômico.
Países ocidentais acusam o Irã de tentar obter bombas atômicas sob a fachada de um programa nuclear civil. O Irã diz que só quer gerar energia elétrica com fins pacíficos.
Os Estados Unidos não descartaram uma ação militar em caso de fracasso diplomático, e o presidente George W. Bush já advertiu que um Irã dotado de armas nucleares pode levar à Terceira Guerra Mundial.
Mas o chefe da agência nuclear da ONU, a AIEA, disse numa entrevista publicada na segunda-feira que o Irã ainda precisaria de três a oito anos para construir uma bomba nuclear, o que garante que haja tempo para negociar.
A reunião de terça-feira em Roma deveria ser entre o chefe de política externa da União Européia, Javier Solana, e Ali Larijani, o negociador-chefe iraniano, cuja demissão foi anunciada no sábado. Larijani vai participar da reunião acompanhado de seu substituto.
O novo negociador-chefe, Saeed Jalili, é bem próximo ao presidente Mahmoud Ahmadinejad. Especialistas acham que sua nomeação indica uma postura menos concessiva por parte do Irã.
- Independentemente de quem seja o negociador, o Irã precisa cumprir suas obrigações para com a comunidade internacional e suspender suas atividades de enriquecimento e reprocessamento de urânio - disse Gordon Johndroe, porta-voz do Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca.
A França, que endureceu sua retórica contra o Irã desde a posse do presidente Nicolas Sarkozy, em maio, também insistiu que o país tem de atender às exigências da ONU.
A recusa iraniana em suspender as atividades nucleares já fez o Conselho de Segurança da ONU impor duas rodadas de sanções. As potências pressionam por uma terceira rodada.
- O Irã não permitirá que seu direito à tecnologia nuclear seja suprimido - escreveu o ministro das Relações Exteriores iraniano, Manouchehr Mottaki, a seu equivalente francês, Bernard Kouchner. Mottaki também escreveu que a pressão francesa por 'sanções unilaterais' da UE é ilegal e viola as regulamentações da ONU.
Um diplomata francês em Teerã confirmou que a carta foi recebida há uma semana, e não deu mais detalhes.
Numa entrevista publicada no Le Monde, o chefe da AIEA, Mohamed ElBaradei, disse que ainda há muito tempo para que a diplomacia, as sanções e os diálogos dêem resultado.
As potências concordaram em esperar até novembro para ver se o Irã coopera com a AIEA ou explica sua posição para Solana, que as representa.
