Rússia retaliará se sofrer limitação de investimento, diz Putin
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MOSCOU - A Rússia pode adotar medidas retaliatórias se os Estados Unidos e países europeus limitarem o investimento estrangeiro em seus mercados, afirmou na segunda-feira o presidente russo, Vladimir Putin, segundo agências de notícias do país.
- Evidentemente, se esses países agirem assim, seremos obrigados a adotar as medidas necessárias para proteger nossos interesses - afirmou Putin a repórteres durante uma visita aos Emirados Árabes Unidos.
Em julho, o presidente dos EUA, George W. Bush, sancionou uma lei que aumenta o controle sobre os processos de aquisição, por empresas estrangeiras, de empresas norte-americanas.
Essa manobra realizou-se enquanto o Congresso norte-americano debatia a respeito de negócios que teriam dado a empresas estrangeiras o controle sobre grandes patrimônios dos EUA.
Alguns políticos da Europa, com destaque para os alemães, passaram a defender a criação de uma lei de proteção depois de o banco estatal russo VTB ter comprado 5 por cento da empresa aeroespacial européia EADS.
- Nós na Rússia estamos discutindo a necessidade de aprovarmos uma lei do tipo. Até agora, colocamos o pé no freio desse processo - afirmou Putin.
Empresas russas ricas, agressivas e em processo acelerado de expansão mostram-se ávidas por adquirir bens no exterior, especialmente na Europa. Mas a União Européia (UE) não deseja dar aos russos maiores chances de investir sem ter uma contrapartida semelhante para os europeus dentro da Rússia.
A lei russa sobre o chamado setor 'estratégico' ainda está sendo elaborada. Na Rússia, as regras a respeito dessa matéria são muitas vezes arbitrárias e nebulosas.
Nos últimos anos, o governo russo ampliou seu controle sobre áreas consideradas importantes e fez isso aumentando a pressão sobre empresas estrangeiras por meio de seus órgãos de controle técnico, ambiental e fiscal.
A joint venture TNK-BP é o último investimento estrangeiro do tipo de grandes proporções existente na Rússia, com uma participação de controle. A rival Shell cedeu o controle do projeto de petróleo e gás Sakhalin-2 para a estatal Gazprom em 2006.
Políticos europeus mostram-se também preocupados com a possibilidade de fundos soberanos emitidos por nações emergentes, como a China e a Rússia, tentarem assumir o controle de setores estratégicos de seus países. Tais decisões empresariais, afirmam, poderiam ser politicamente motivadas.
