Primeira-dama argentina tenta seduzir grandes empresas

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REUTERS

BUENOS AIRES - A primeira-dama argentina, Cristina Fernández de Kirchner, favorita na eleição presidencial deste ano, faz nesta semana campanha junto aos grandes empresários, muitos dos quais descontentes com as políticas de seu marido.

Em discurso na terça-feira ao influente grupo empresarial Idea, Fernández, que tem grande vantagem nas pesquisas para a eleição de 28 de outubro, pediu aos capitães da indústria que gerem empregos bem pagos e pensem tanto nas necessidades da sociedade quanto no lucro.

"Nossos trabalhadores são consumidores, então uma boa distribuição de salários também ajuda a economia", disse ele.

Ao falar num evento da Idea, Cristina passa a mensagem de que pode vir a trabalhar mais estreitamente com a comunidade empresarial do que seu marido, Néstor Kirchner, que evitava as atividades da associação e outros eventos do tipo.

"Tudo o que ela disse foi correto, o que importa é que aconteça", disse Julio Werthein, investidor em telecomunicações presente ao evento.

Em quatro anos de mandato, Kirchner faz freqüentes ataques a algumas empresas específicas. Ele e muitos argentinos culpam a ambição das corporações, as privatizações dos serviços públicos, os gastos públicos desenfreados e as políticas neoliberais das décadas de 1990 pelo colapso econômico de 2001 e 2002.

Tentando controlar a inflação, ponto fraco de uma economia de resto saudável, Kirchner obrigou as empresas a aceitarem o congelamento dos preços de alimentos, vestuário, remédios, combustível e outros produtos.

Cristina citou feitos econômicos do marido --queda do desemprego e da pobreza, reservas internacionais recordes, forte expansão econômica e superávit comercial e orçamentário--, dando a entender que não planeja grandes mudanças.

Ela afirmou que a Argentina precisa aprender com os erros de outros países, sem colocar o Estado como responsável por tudo nem deixar que as empresas privadas mandem em tudo.

O tema da reunião era a oferta energética --grave ponto de atrito entre governo e empresariado. Foi apresentado um relatório dizendo que o país precisa fazer enormes investimentos para atender ao aumento da demanda.

O governo reduziu o fornecimento de gás natural para fábricas, causando queda na produção, nos meses de inverno, para priorizar o aquecimento doméstico.

Críticos dizem que a política do governo de manter o preço do gás natural baixo afasta investimentos no setor.