Peres tranqüiliza Erdogan depois da evocação do "genocídio"

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Agência JB

ANCARA - O presidente de Israel, Shimon Peres, ligou nesta quinta-feira para o primeiro-ministro turco Recep Tayyip Erdogan para tranqüilizá-lo sobre a vontade de Israel de manter vínculos estreitos com a Turquia, anunciou um conselheiro de Erdogan.

A ligação foi feita depois de um importante lobby judeu americano, a Liga Anti-Difamação (ADL) ter qualificado de "genocídio" o massacre dos armênios na época do império otomano, um termo que as autoridades turcas rejeitam categoricamente.

Em Ancara, esta decisão faz temer o fim do apoio do poderoso lobby judeu americano contra os que pressionam Washington para que reconheça o massacre dos armênios como um genocídio e faça votar uma lei neste sentido no Congresso.

- Peres insistiu na importância das relações entre Israel e a Turquia. Foi uma conversa frutífera - disse o conselheiro do primeiro-ministro turco.

Quarta-feira, a embaixada de Israel em Ancara declarou que o Estado hebreu estava ciente dos "terríveis acontecimentos" e do "enorme sofrimento" ao qual foram submetidos os armênios, mas exortou os israelenses a não tomar partido.

"Israel pede que nenhuma das duas partes seja privilegiada e que nenhum comentário seja feito sobre o que aconteceu. Esperamos que ambas as partes consigam promover um diálogo aberto" sobre a questão, acrescentou a embaixada.

A ADL declarou terça-feira que reexaminou o caso do massacre dos armênios e que, depois de consultar especialistas, considerou que "se trata mesmo de um genocídio".

Entretanto, a organização americana acrescentou que uma lei do Congresso qualificando esse massacre de genocídio "não facilitará a reconciliação entre turcos e armênios, e pode ameaçar as importantes relações entre a Turquia, Israel e os Estados Unidos".

A Turquia é o principal aliado de Israel na região desde a assinatura, em 1996, de um acordo de cooperação militar, que provocou a ira dos países árabes e do Irã.

A intervenção americana no Iraque e a política israelense em relação aos palestinos favoreceram o surgimento de sentimentos antiamericanos e antiisraelenses na população turca.