Sucre convoca greve e constituintes bolivianos iniciam protesto

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Agência EFE

BOLÍVIA - Os líderes do departamento de Chuquisaca, no sul da Bolívia, convocaram uma greve de 24 horas para esta quinta-feira, enquanto cinco membros da Assembléia Constituinte iniciaram uma greve de fome contra a decisão de eliminar a disputa entre Sucre e La Paz pelo status de capital do país.

As medidas de pressão foram anunciadas à imprensa pelo presidente do Comitê Cívico da região, Jhon Caba, após uma reunião com organizações para avaliar a decisão da Constituinte.

A Assembléia, a pedido dos representantes de La Paz e do partido governista Movimento Ao Socialismo (MAS), eliminou o debate sobre a capital e a mudança dos poderes Executivo e Legislativo para Sucre.

Dos 211 constituintes no plenário, 134 aprovaram a eliminação.

A decisão causou protestos e agressões contra constituintes e jornalistas nas ruas da cidade, onde a população cercou por horas a sede da Assembléia. Os incidentes não foram mais graves devido ao reforço policial no edifício.

Caba acusou os líderes de La Paz de tomar decisões por todo o país e "fazer fracassar a Assembléia" com uma resolução "autoritária" e antidemocrática".

- Tomaremos medidas pela defesa da democracia e contra este atentado aqui na cidade de Sucre - disse o dirigente. Ele anunciou também ações no Tribunal Constitucional para anular a decisão da Assembléia.

Chuquisaca reivindica que os poderes Executivo e Legislativo sejam transferidos para a cidade de Sucre, capital histórica da Bolívia e do departamento. Os órgãos estão em La Paz desde 1899, quando aconteceu uma guerra civil.

Um relatório oficial da Assembléia Constituinte afirma, além disso, que durante os distúrbios alguns jornalistas foram agredidos.

Segundo a informação, dois jornalistas, um deles da emissora de rádio "Erbol", foram agredidos "com extrema violência, inclusive quando estavam caídos" por funcionários da Prefeitura, disseram testemunhas.

O porta-voz do MAS, Marco Carrillo, disse à imprensa que a resolução tomada no fórum impede que o plenário, as comissões e subcomissões temáticas debatam a mudança da capital. Na sua opinião, o tema ameaçava "fazer fracassar a Assembléia".

Segundo Carrillo, os constituintes assumiram que seu objetivo não era discutir um assunto que podia levar ao confronto entre La Paz e Sucre, e sim reformas estruturais sociais e políticas de maior alcance.