China admite que falta de qualidade prejudica seus produtos

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REUTERS

PEQUIM - Mesmo tendo se tornado um gigante comercial, a China perde competitividade devido à falta de controles rígidos de qualidade sobre seus produtos, disse o chefe da agência nacional de fiscalização de produtos do país.

As declarações de Li Changjiang, diretor da Administração Geral para Supervisão de Qualidade, Inspeção e Quarentena, foram divulgadas um dia depois de a China anunciar o envio de funcionários aos Estados Unidos neste mês e no próximo.

A visita diplomática servirá para tentar contornar os possíveis efeitos da uma série de escândalos provocados por produtos chineses inadequados para exportação, como rações animais, cremes dentais e brinquedos com tinta tóxica.

O senador democrata Charles Schumer, crítico contumaz das práticas comerciais chinesas, pediu ao Departamento de Estado dos EUA que pressione Pequim a abrir suas fábricas a inspeções norte-americanas.

No mês que vem, o presidente George W. Bush recebe as recomendações de uma comissão sobre segurança das importações, e parlamentares já preparam vários projetos destinados a aumentar a fiscalização sobre os produtos estrangeiros.

Li, do órgão chinês de fiscalização de qualidade, alertou seus subordinados que a tolerância com defeitos e irregularidades está abalando o poderio comercial do país, disse na quinta-feira o Diário do Povo.

- Entramos nas fileiras dos grandes comerciantes, mas ainda estamos muito longe de sermos uma potência comercial, e a razão fundamental é que nossa competitividade quanto à qualidade dos produtos não é forte - disse ele a subordinados dias atrás.

- A qualidade é um símbolo da força nacional - resumiu.

Nesta semana, a Mattel, maior empresa norte-americana de brinquedos, anunciou o 'recall' de 18,2 milhões de peças produzidas na China e distribuídas no mundo todo, sendo 9,5 milhões nos Estados Unidos. O Brasil também foi afetado pelo recall.

Os brinquedos contêm ímãs pequenos e destacáveis, que podem ser engolidos por crianças, e também pigmentos com chumbo.

O Ministério do Comércio chinês defendeu os produtos do país e prometeu investigações sobre os problemas apontados. Por outro lado, o órgão repetiu a versão oficial do regime comunista de que a imprensa estrangeira exagera o assunto.

- Há parte da mídia e pessoas irresponsáveis que, sem base nenhuma, atacam a qualidade geral dos bens chineses, citando problemas com produtos específicos - disse o porta-voz Wang Xinpei em entrevista coletiva.

- As reportagens não podem enxergar o quadro geral. Usam casos individuais para descrever a situação geral, e alguns até mesmo extrapolam deliberadamente na cobertura. Não são racionais e às vezes são maliciosos.

No começo do mês, a Mattel já havia decidido recolher 1,5 milhão de brinquedos para crianças em idade pré-escolar devido à presença excessiva de chumbo na tinta. Dias depois, o dono da fábrica Lee Der, que havia produzido aquelas peças, cometeu suicídio.

Um assessor de imprensa da Lee Der disse que a empresa usou tinta de um antigo fornecedor, mas que havia recebido certificação falsa.