Japão relembra mortos na Segunda Guerra Mundial evitando polêmica
Agência EFE
TÓQUIO - O Japão lembrou nesta quarta-feira a dolorosa derrota na Segunda Guerra Mundial, ocorrida há exatos 62 anos, com uma renúncia oficial às disputas bélicas e várias manifestações de grupos nacionalistas no Templo de Yasukuni.
Desde a madrugada desta quarta-feira, o polêmico santuário xintoísta onde são prestadas homenagens aos mortos em ações militares japonesas - incluindo 14 considerados criminosos de guerra - atraiu peregrinos vindos de todo o país.
Milhares de pessoas, entre idosos e jovens, se reuniram hoje nos arredores de Yasukuni, em um dia bastante quente.
No templo, os peregrinos encontraram grupos com megafones e agitando bandeiras imperiais e cartazes com palavras de ordem, ex-militares com seus velhos uniformes e vendedores de amuletos budistas e camisetas das Olimpíadas de Pequim.
Ao meio-dia local, a multidão emudeceu, prestando um minuto de silêncio pelos mais de 3 milhões de vítimas japonesas da Segunda Guerra Mundial (1939-45). Ao mesmo tempo, no Budokan Hall, no centro de Tóquio, acontecia um ato semelhante durante a comemoração oficial pelo final do conflito.
Lá, o primeiro-ministro Shinzo Abe lembrou que o Japão tinha causado "um dano considerável" a vizinhos asiáticos e pediu que o país continuasse trabalhando pela paz mundial graças à lição aprendida na guerra e mantenha "firme" sua promessa de não se envolver em conflitos.
Na cerimônia, liderada pelo imperador Akihito, estiveram presentes 6 mil familiares dos mortos na Segunda Guerra Mundial, desde uma mulher de 101 anos, mãe de um militar da Marinha japonesa que morreu na Birmânia (atual Mianmar), até uma menina de 10 anos, bisneta de um marinheiro que morreu no bombardeio ao seu navio.
Em Yasukuni, o iraniano Sohrab Saadat, que mora há 30 anos no Japão, observava curioso a multidão, com a esperança de encontrar algum político relevante. Mas ele não conseguiu ver o ex-primeiro-ministro Junichiro Koizumi, que visitou o santuário no começo da manhã.
No entanto, o atual chefe do Governo japonês não compareceu ao santuário para evitar a fúria da China e da Coréia do Sul, despertada pelas freqüentes visitas de Koizumi a Yasukuni.
Sobre os setores mais nacionalistas que comparecem ao santuário, Saadat acredita que "muita gente vem homenagear seus antepassados que morreram na guerra, mas há muitos que vêm pelo significado político de Yasukuni".
A poucos metros dali, na calçada que leva ao principal templo do complexo, cerca de dez jovens fardados e carregando bandeiras do Japão desfilavam em ritmo marcial.
Outros foram a Yasukuni apenas para rezar e preferiam passar por cima da polêmica que rodeia o santuário.
Cerca de 30 adolescentes da sociedade religiosa Mahikari e seus tutores compareceram ao santuário para "rezar por seus antepassados" mortos nas guerras e mostrar sua gratidão, como afirmou um dos responsáveis, que preferiu não ser identificado.
Seis membros da ONG japonesa "Peace Boat" ("Barco da Paz", em inglês) também compareceram "para rezar pela paz", como disse a toquiota Masae Ito, de 30 anos, que não quis falar sobre a polêmica.
