Visita de Lula ao Panamá é curta mas produtiva

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Agência EFE

PANAMÁ - A visita de menos de 24 horas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Panamá teve como resultado a assinatura de vários acordos e compromissos bilaterais.

A visita terminou com um comunicado conjunto. Mas, devido à pressa, Lula não pôde ler o texto ao lado do governante panamenho, Martín Torrijos, como estava previsto.

Foi uma maratona de compromissos para Torrijos e Lula, que chegou à capital panamenha ontem à noite, saindo da Jamaica, com três horas de atraso. Eles jantaram com políticos, se reuniram com empresários, assinaram vários documentos de cooperação, participaram de uma cerimônia com pequenos criadores de gado e camponeses e visitaram o Canal do Panamá.

Torrijos condecorou Lula com a Ordem Omar Torrijos Herrera, no grau de Grande Cruz Excepcional. Foi a primeira vez que a distinção foi entregue. Em seguida, o presidente voltou para Brasília, encerrando uma viagem que começou dia 6 de agosto e passou por México, Honduras, Nicarágua e Jamaica.

Lula, que usou um chapéu do tipo Panamá, porém feito no Equador, não falou à imprensa. Mas, ao agradecer a condecoração, destacou a herança do presidente atual, filho do general que negociou os tratados que devolveram ao Panamá a soberania sobre o canal construído pelos Estados Unidos.

- Uma boa semente dá uma boa árvore - disse Lula, em referência ao governante panamenho.

No documento que finalizou o encontro de hoje, os presidentes reafirmaram sua decisão de fortalecer o desenvolvimento social, combater a fome, a pobreza, o analfabetismo e a exclusão social.

Martín Torrijos mostrou interesse na "experiência bem-sucedida" do programa Bolsa-Família. Ele pretende aperfeiçoar seu programa Rede de Oportunidades Sociais.

Os dois governantes destacaram a assinatura de um projeto de cooperação de desenvolvimento de biocombustíveis, uma alternativa de exportação para os Estados Unidos. A Petrobras mostrou interesse em participar do desenvolvimento da produção de etanol no Panamá.

Lula e Torrijos também identificaram a importância de criar "um ambiente seguro e transparente" para o comércio e os investimentos e aumentar a cooperação no campo tributário, com "a possibilidade de negociação de um acordo bilateral de combate à evasão fiscal e à dupla tributação".

O Panamá cumpriria os requisitos para abandonar as "listas negras" de países com baixa tributação, que podem favorecer a lavagem de dinheiro.

O Governo panamenho tem anunciado que responderá com a Lei de Retaliação a quem "listar" o país, podendo inclusive excluir empresas das licitações de obras públicas, como a da ampliação do Canal, orçada em US$ 5,25 bilhões.

Lula declarou, no documento, que a ampliação do Canal "beneficiará o Panamá e o mundo inteiro, ao aperfeiçoar e agilizar os transportes marítimos internacionais". Ele expressou a disposição do Brasil e das empresas brasileiras de colaborar com as obras.

Lula deixou o Panamá por volta das 19h30 (21h30 de Brasília).