Rússia propõe a EUA e Otan criar um sistema antimíssel global até 2020

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Agência EFE

MOSCOU - A Rússia propõe aos Estados Unidos e à Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) criar juntos até 2020 um sistema global de defesa contra mísseis, e para isso está disposta a trocar 'tecnologias sensíveis', afirmou neste domingo o vice-primeiro-ministro russo Serguei Ivanov.

Em entrevista ao canal de televisão 'Rossia', o político defendeu as últimas iniciativas do Kremlin de cooperação militar, como alternativa ao plano dos EUA de instalar seu escudo antimísseis na Europa do Leste perto das fronteiras russas.

- Propomos criar, aproximadamente para 2020, um sistema global único de defesa contra mísseis, com participação eqüitativa de muitos Estados e com acesso de todos ao comando desse sistema - disse Ivanov na entrevista, adiantada pela agência 'Interfax'.

Afirmou que a Rússia dirige esta iniciativa aos EUA, como 'atual líder mundial em tecnologia', assim como aos países-membros da Otan e a todos os outros Estados europeus, inclusive neutros, como Áustria, Finlândia e Suécia.

Ivanov acrescentou que essa alternativa russa a um escudo antimísseis global dos EUA e da Otan incluiria 'a troca de tecnologias militares muito sensíveis', o que favoreceria todos os participantes e contribuiria para criar 'um clima de mais confiança'

entre eles.

- Isso mudaria toda a arquitetura de segurança e o nível de confiança mútua, pois as partes, ao ter acesso eqüitativo, não se considerariam mais inimigos ou rivais, e deixariam definitivamente no passado a Guerra Fria - disse.

Os EUA planejam instalar um radar na República Tcheca e uma dezena de interceptores na Polônia como elementos de seu escudo antimísseis, coordenável no futuro com o da Otan, para se defender de possíveis ataques de países como Irã e Coréia do Norte.

No entanto, a Rússia - insatisfeita com a contínua ampliação da Otan em direção a suas fronteiras - considera que este projeto é dirigido contra ela e representa uma ameaça a sua segurança, por isso ameaçou apontar seus mísseis contra os países europeus envolvidos.

O principal argumento de Moscou é que países como o Irã levariam 15 ou 20 anos para criar mísseis próprios de longo alcance, mas Ivanov disse hoje que 'nunca questionamos o fato de que a proliferação de tecnologias de mísseis entranha uma grave ameaça para a segurança de muitos países, incluindo a Rússia'.

Com este projeto dos EUA, há a tentativa de 'enfrentar (a Rússia) com a Europa para criar uma nova divisa, um novo Muro de Berlim', disse Ivanov, um dos favoritos para substituir o atual presidente russo, Vladimir Putin, no ano que vem.

O político, ex-ministro da Defesa e responsável atualmente da indústria militar e altas tecnologias, defendeu também a cooperação da Rússia, EUA e a Otan para criar um sistema comum de avaliação dos riscos estratégicos no mundo.

- Devemos avaliar juntos os riscos e criar um sistema antimísseis que garanta a segurança tanto dos EUA quanto de seus aliados da Otan, e também da Rússia - ressaltou.