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Putin e Bush se reúnem para falar de Kosovo e armas nucleares

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Agência EFE

MOSCOU - O Kosovo, a situação dos palestinos, os programas nucleares do Irã e da Coréia do Norte e o desarmamento são os temas centrais das reuniões que serão realizadas em 1º e 2 de julho entre os presidentes da Rússia, Vladimir Putin, e dos Estados Unidos, George W. Bush, informou nesta sexta-feira o Kremlin.

Nas conversas que Putin e Bush manterão em Kennebunkport (EUA), no rancho dos pais do presidente americano, os dirigentes discutirão ainda as perspectivas das relações bilaterais, levando-se em conta as eleições nos Estados Unidos e na Rússia.

- Os líderes dos dois países falarão sobre as bases das relações russo-americanas com vistas ao futuro, sobre a consolidação de tudo de positivo acumulado durante os últimos sete anos da Administração de George W. Bush - disse à agência 'Interfax' Serguei Prikhodko, assessor de Putin.

Prikhodko acrescentou que no período eleitoral no qual os dois países entrarão - a Rússia elegerá seu novo presidente em março de 2008 e os Estados Unidos, em novembro do mesmo ano - 'aumentará a tentação de empregar as relações russo-americanas como moeda de troca nas campanhas'.

- Consideramos importante impedir que interesses conjunturais joguem por água abaixo tudo de bom que as duas partes conseguiram em árduos anos de trabalho conjunto - afirmou.

Sobre a polêmica envolvendo o Kosovo, o assessor presidencial adiantou que a Rússia está preparada para ter uma 'conversa séria' e reiterou que Moscou não pode aceitar que 'um país (Sérvia) seja punido pelas ações de seu regime anterior, repartindo seu território contra sua vontade'.

Prikhodko não quis comentar a possibilidade de a Rússia vetar uma resolução do Conselho de Segurança da ONU sobre o Kosovo caso esta contrarie a posição de Moscou.

O assessor do presidente russo acrescentou que Putin e Bush 'sem dúvida trocarão opiniões sobre a explosiva situação na Palestina' e falarão sobre um dos temas tradicionais do diálogo entre Moscou e Washington: os problemas relativos à não-proliferação nuclear.

- Nossa interação neste campo é um modelo, e aqui os interesses de nossos países coincidem quase totalmente - disse o assessor, que destacou que esta cooperação no que se refere à questão nuclear na península da Coréia 'já traz frutos'.

Prikhodko acrescentou que os planos dos EUA de instalar componentes do sistema de Defesa Nacional contra Mísseis americano no Leste Europeu também serão discutidos nas conversas no rancho de Kennebunkport.

A Rússia afirma que a instalação de uma base de mísseis interceptores na Polônia e de um radar na República Tcheca é uma ameaça à sua segurança nacional e advertiu que, como resposta a esta iniciativa, poderia deixar o tratado de Forças Convencionais na Europa (FCE).

- Objetivamente, não existem motivos pelos quais não possamos chegar a um acordo sobre este tema, que afeta os interesses de todos, sempre e quando se agir de maneira conjunta e se evitarem as decisões unilaterais - disse Prikhodko.

Putin e Bush falarão também sobre democracia e direitos humanos, disse o assessor.

- Preocupa-nos o fato de que nos últimos tempos aumenta a crítica injustificada à Rússia pelo suposto afastamento de nosso país das normas e princípios democráticos - afirmou Prikhodko, qualificando as críticas de 'injustas e preconceituosas'.