Promotoria irlandesa não processará policiais que mataram advogado
Agência EFE
BELFAST - A Promotoria da Irlanda do Norte não processará integrantes da Polícia autônoma e do Exército britânico pelo assassinato, em 1989, do advogado católico Pat Finucane, um conhecido defensor de presos do Exército Republicano Irlandês (IRA).
A Promotoria alegou que não há provas suficientes para denunciar judicialmente os supostos colaboradores no crime, um dos mais polêmicos da chamada Guerra Suja na província.
A decisão contraria um relatório de 2003 elaborado pelo ex-chefe da Polícia Metropolitana de Londres, Sir John Stevens, que, após 14 anos de investigações, considerava comprovada a colaboração de policiais com os paramilitares protestantes para matar católicos na década de 80.
Stevens disse que, em 1989, houve uma conspiração para matar o proeminente advogado católico Pat Funicane, de 39 anos, que foi assassinado em casa, diante de sua família, por um pistoleiro da Associação para a Defesa do Ulster, paramilitar protestante.
Apenas um dos três terroristas que participaram do crime, Ken Barrett, foi condenado, em 2004, a 22 anos de prisão pela morte do advogado.
Barrett trabalhava como informante para os serviços secretos da antiga Polícia Autônoma da Irlanda do Norte, o Royal Ulster Constabulary, de maioria protestante.
Os outros dois cúmplices no assassinato do advogado católico, William Stobie e Brian Nelson, também trabalharam como espiões para as forças de segurança norte-irlandesas e britânicas.
Stobie foi assassinado por paramilitares protestantes em dezembro de 2001 em um acerto de contas, enquanto Nelson morreu em abril de 2003 de câncer de pulmão.
Durante seu julgamento, Barrett disse que Nelson avisou seus contatos policiais dos preparativos da execução de Finucane, mas estes não fizeram nada para evitar o atentado.
A viúva de Pat Finucane, Geraldine, sempre negou que o marido tivesse ligação com o IRA e afirmou que recebeu o texto da decisão da Promotoria, mas não quis comentá-lo até 'ler o conteúdo'.
