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Rússia rejeita uma 'independência adiada' para o Kosovo

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Agência EFE

MOSCOU - O chefe da diplomacia russa, Serguei Lavrov, advertiu nesta sexta-feira que Moscou rejeita a concessão ao Kosovo de uma 'independência automática adiada' em caso de terminar sem acordo a segunda etapa de negociações entre Belgrado e Pristina.

- Não podemos aprovar a proposta que, ao vencer o prazo estabelecido para as negociações sem resultados aceitáveis para ambas as partes, se ative automaticamente - sem uma nova resolução do Conselho de Segurança (CS) da Organização das Nações Unidas - o plano Ahtisaari, ou seja, que o Kosovo obtenha a independência 'de jure' (por direito) - declarou Lavrov.

Ao mesmo tempo, o ministro de Exteriores da Rússia disse com satisfação que 'na postura do Ocidente se vislumbra uma mudança e na Europa já foi aceita a tese de um prolongamento do prazo das negociações' entre Belgrado e Pristina.

Em declarações o canal de televisão 'Viesti-24', Lavrov se negou a fazer previsões sobre o futuro dessa província sérvia de arrasadora maioria albanesa, que reivindica sua independência.

- Nós na Rússia preferimos nos dedicar a impedir que se plasmem na realidade projetos que entranham conseqüências muito desagradáveis e o perigo de uma reação em cadeia em outras regiões do mundo - manifestou.

O futuro estatuto do Kosovo deve ser decidido pelo Conselho de Segurança da ONU, após um debate sobre o plano do mediador Martti Ahtisaari, que prevê para a província uma independência sob supervisão internacional.

A Sérvia, que rejeita categoricamente qualquer forma de independência de sua província, à qual oferece uma ampla autonomia, defende um novo ciclo de negociações entre Belgrado e Pristina, sem os limites temporários propostos pelos EUA e países da União Européia (UE), até que se chegue finalmente a um acordo de ambas as partes.

A Rússia, país com direito a veto no CS, respalda à Sérvia em sua postura.

Os EUA e a UE, que apóiam o plano de Ahtisaari, propuseram na quarta-feira um adiamento por quatro meses da decisão sobre o Kosovo para dar mais tempo a sérvios e albano-kosovares para negociar sobre o futuro da província administrada pela ONU, e para superar as diferenças com a Rússia.

Os albaneses, que são 90% da população do Kosovo, reivindicam a independência como a única saída e descartam novas negociações com Belgrado sobre o estatuto.