Viúva de Litvinenko acha que o marido morreu por rixa
Agência EFE
PARIS - A viúva do ex-espião da KGB Aleksandr Litvinenko, Marina Litvinenko, acredita que o marido foi assassinado por causa da disputa entre o presidente russo Vladimir Putin e o empresário Boris Berezovsky.
Aleksandr Litvinenko morreu em 23 de novembro em um hospital de Londres após ingerir uma dose letal de polônio 210, um isótopo radioativo altamente tóxico.
A viúva e o cientista Alex Goldfarb participaram nesta quarta-feira em Paris da apresentação do livro que escreveram e narrando aspectos da vida de Litvinenko com o cenário da situação política e econômica na Rússia, com especial ênfase no conflito da Chechênia.
O ex-agente da KGB conheceu Berezovsky em meados dos anos 1990. Com o tempo, Berezovsky se tornou um magnata e adversário de Putin, até o ponto de - acusado por fraude, corrupção e fazer apelos públicos para a saída do presidente russo - se refugiar em Londres.
Marina Litvinenko reconheceu a boa relação do marido com o empresário, e defendeu-o das suspeitas de ter negócios suspeitos.
- Caso alguém me mostre provas claras por escrito serei a primeira a dizer que o capturem (Berezovsky), mas até agora ninguém as apresentou, disse a viúva acompanhada do filho Anatoly, de 12 anos.
Goldfarb, antigo dissidente russo naturalizado americano e que ajudou os Litvinenko a escapar para o Reino Unido, insistiu que o Governo russo está por trás da morte do ex-espião.
A idéia foi apontada pelo próprio Litvinenko, que acusou Putin diretamente por sua morte iminente.
Para Goldfarb, a complexidade da operação torna verossímil o envolvimento de altos poderes do Estado russo. Foi necessário processar o polônio 210 em uma fábrica específica, transportá-lo sem risco e discretamente até Londres e realizar o envenenamento.
A Justiça britânica pediu para a Rússia a extradição do ex-agente da KGB Andrei Lugovoi, ao qual acusa pelo assassinato. Ele e Litvinenko se encontraram em Londres várias vezes em novembro de 2006.
Os investigadores britânicos detectaram rastros de polônio 210 em diferentes estabelecimentos pelos quais Lugovoi passou durante sua estadia em Londres.
Goldfarb acredita que Lugovoi não tinha motivos pessoais para assassinar Litvinenko nem o fez por dinheiro, pois é um bem-sucedido empresário de serviços de segurança.
Isso reforça a idéia de que o ex-agente fazia parte de um dispositivo organizado em alto nível para matar Litvinenko. Assim, ele seria castigado por sua relação com Berezovsky e por ter traído o serviço secreto russo.
