Palestinos do Fatah recebem armas do Egito, segundo Hamas
Agência EFE
CAIRO - Os nacionalistas palestinos do Fatah leais ao coronel Mohammed Dahlan receberam armas e carros blindados do Egito, informaram nesta quarta-feira órgãos de imprensa ligados aos seus rivais, do Movimento de Resistência Islâmica (Hamas), citados pela rádio israelense.
Dahlan é um ex-chefe do Serviço de Segurança Preventiva, órgão militar secreto da Autoridade Nacional Palestina (ANP). Além disso, atua como assessor do presidente Mahmoud Abbas e é considerado o principal adversário do Hamas, assim como o homem forte do Fatah em Gaza.
Segundo a denúncia, o armamento entrou pela passagem fronteiriça de Rafah, no início desta semana, sob supervisão de forças da ANP e de funcionários da União Européia (UE). A carga incluiu fuzis automáticos Kalashnikov e munição.
O porta-voz dos supervisores europeus, José Vericat, desmentiu a informação atribuída pela emissora aos órgãos do Hamas. Em entrevista à Efe, ele garantiu que pela passagem de Rafah não entram armas, nem veículos, apenas viajantes entre Gaza e Egito.
- A passagem de Rafah, segundo os acordos vigentes, não pode ser aberta sem a presença dos funcionários da UE - lembrou Vericat. A última vez que ela foi aberta, acrescentou, foi nos dias 25 e 26 de maio.
Milicianos da força executiva ou auxiliar criada pelo Hamas e sob comando de Abu Obeida al-Yarah, travaram este mês sangrentos choques com os nacionalistas do Fatah.
As duas principais facções, que compartilham o Governo de união nacional, suspenderam seus confrontos em meados deste mês. O armistício está sendo respeitado pelas duas partes.
Ao mesmo tempo, o Hamas e a Jihad Islâmica intensificaram seus ataques com foguetes Qassam contra a cidade de Sderot, no sul de Israel.
Segundo a imprensa do Hamas, militantes do Fatah estão protegendo suas casas com sacos de areia e prepararam posições de tiro para seus fuzis-metralhadoras.
Abu Obeida desmentiu também que seus milicianos tenham decidido cessar seus ataques contra Israel e restabelecer um período de calma ou tahadia. Ele reagiu assim às notícias divulgadas pela rádio israelense, de fontes palestinas não identificadas, sobre uma suposta divisão interna entre os islâmicos.
O líder máximo do Hamas, Khaled Meshaal, exilado na Síria, também se manifestou a favor de manter a resistência armada contra Israel, segundo declarações divulgadas nesta quarta-feira em Londres pelo jornal The Guardian.
Representantes do Hamas e das demais facções palestinas deveriam se reunir hoje no Cairo para analisar a possibilidade de uma nova trégua com Israel.
Uma fonte do Fatah, citada pela rádio israelense, diz que o comandante do braço armado do Hamas, Ahmed al-Yabri, sob pressões da liderança política, decidiu retomar a trégua com Israel. Mas a proposta enfrenta a oposição do chefe do norte de Gaza, Ahmed Randur.
