Nova audiência é realizada no caso de juiz suspenso no Paquistão
Agência EFE
LAHORE - O Supremo Tribunal do Paquistão realizou hoje uma nova audiência sobre o recurso contra o presidente, o general Pervez Musharraf, apresentado pelo chefe da Justiça suspenso Iftikhar Chaudhry, que denunciou que o líder o instou a renunciar depois de o deter de forma ilegal.
Após escutar as alegações de ambas as partes, o tribunal deve decidir, na próxima semana, se o recurso apresentado por Chaudhry é válido. Ele questiona a autoridade constitucional do presidente para tê-lo afastado de seu cargo, no dia 9 de março.
O general Musharraf suspendeu o presidente do Supremo Tribunal com a acusação de abuso de autoridade, o que abriu uma crise sem precedentes entre o Poder Judiciário e o Executivo. Os desentendimentos geraram um movimento de oposição contra o presidente paquistanês.
A declaração escrita de Chaudhry ao tribunal, divulgada à imprensa no final de abril, foi na última terça-feira à base de sua defesa. Nela, ele assegura que Musharraf o prendeu à força por pelo menos seis horas, depois de pedir para renunciar sob pressão, ao que ele teria se negado.
Chaudhry explicou como foi convocado à residência do presidente, no quartel-general de Rawalpindi, próximo a Islamabad, no dia 9 de março. Ali, o presidente o informou das acusações existentes contra ele.
- Ele me deu a opção de renunciar ao cargo de chefe do Supremo Tribunal, e, de fato, tentou me persuadir. O presidente ficou muito irritado quando me recusei a renunciar, contou Chaudhry.
Acrescentou que foi impedido 'fisicamente' de deixar o gabinete do presidente. Quando ficou evidente que não ia renunciar, Musharraf emitiu uma ordem, suspendendo-o de suas funções.
O juiz, em seu recurso, afirmou que a decisão foi 'uma tentativa do general Musharraf de humilhar, subjugar e transformar em submisso o órgão judicial mais importante do Estado, especialmente em um momento em que este órgão estava começando a efetivar sua constitucionalidade, ajudando cidadãos comuns'.
Se o painel de 13 magistrados responsáveis pelo caso decidirem que o recurso de Chaudhry é válido, terá início o processo em si. Segundo as previsões dos analistas no Paquistão, isso pode se prolongar até o final de junho ou princípios de julho.
O caso acabou levando a uma campanha contra Musharraf, apoiada pelos principais partidos da oposição, que, desde março, lideram freqüentes protestos a favor de Chaudhry e contra o general.
Nos dias 12 e 13, 42 pessoas morreram em conflitos entre os partidários dos dois grupos em Karachi, onde o juiz suspenso compareceria a uma manifestação de apoio.
