Hamas continuará atacando Israel, diz líder do grupo
Agência EFE
LONDRES - O Hamas continuará atacando Israel, apesar das fortes represálias por parte dos israelenses, avisa o líder do grupo, Khaled Meshaal, em declarações publicadas nesta quarta-feira pelo jornal inglês 'The Guardian'.
Entrevistado em Damasco, Meshaal afirmou que os palestinos estão em seu pleno direito de resistir 'à agressão sionista', independentemente da eficácia de suas ações.
- Um povo que sofre com uma ocupação não se pergunta se seus meios são eficazes para causar danos ao inimigo, disse.
O líder do Hamas acredita que os ataques contínuos dos palestinos podem acabar afetando todo o Oriente Médio.
- Os palestinos são persistentes, e há muitas formas de resistir, de acordo com as diferentes ocasiões e condições, acrescentou Meshaal.
Atualmente, as principais armas do Hamas são os mísseis artesanais disparados pelo seu braço militar, as Brigadas Ezzedeen al-Qassam.
O líder do grupo reconhece que os palestinos cometeram 'erros' e fizeram 'apostas ruins'. No entanto, responsabiliza principalmente a intervenção estrangeira pelos conflitos internos, especialmente a dos Estados Unidos e de Israel.
Segundo Meshaal, o bloqueio imposto à Autoridade Nacional Palestina (ANP) pelos EUA e pela União Européia (UE), depois que o Hamas venceu democraticamente as eleições de janeiro de 2006, contribuiu para complicar a situação na área.
- Esse bloqueio é um castigo coletivo, e, portanto, um crime. E o crime é ainda mais grave depois do Acordo de Meca (de fevereiro deste ano, quando foi criado um Governo de coalizão entre o Hamas e o Fatah), porque os palestinos acreditavam que a medida seria suspensa.
- Agora, a comunidade internacional quer destruir o Hamas. Isso produzirá uma revolta frente à ocupação israelense que afetará a estabilidade em toda a região, prevê o líder.
Meshaal rejeita as exigências do Quarteto de Madrid (EUA, UE, ONU e Rússia) para que o Hamas reconheça Israel, abdique da violência e aceite os acordos anteriores com o Estado judeu.
As condições foram aceitas pelo ex-presidente da ANP Yasser Arafat e por seu sucessor, Mahmoud Abbas, atualmente na liderança, sem que Israel tenha se retirado dos territórios ocupados.
Segundo Meshaal, são os palestinos, e não Israel, que precisam de reconhecimento. Para ele, por esse motivo, as reivindicações ocidentais não devem ser cumpridas.
Algumas recentes declarações do Hamas parecem indicar a aceitação da existência de Israel, porém, sem um reconhecimento explícito.
- Aceitamos um Estado palestino dentro das fronteiras de 1967. Este é nosso objetivo nacional, afirma Meshaal.
O líder do Hamas é considerado um perigoso terrorista por Israel, cujo ministro da Segurança Interna, Avi Dichter, advertiu, na semana passada, que este e outros dirigentes palestinos podem se transformar em alvo dos israelenses.
Referindo-se ao próximo aniversário da guerra de junho de 1967, na qual Israel ocupou a Cisjordânia, a Faixa de Gaza, Jerusalém Oriental, o Sinai egípcio e a Colinas do Golã sírias, Meshaal afirma que a resistência armada acabará triunfando.
- Quem obrigou (Ariel) Sharon a deixar Gaza (em 2005), ou (Ehud) Barak a abandonar o Líbano (em 2000)? É preciso observar o que ocorre no Iraque, onde a maior potência do mundo está afundada em caos diante da resistência iraquiana. O tempo está a favor do povo palestino, afirmou.
