Continuísmo marca os 10 meses do Governo interino de Raúl Castro
Agência EFE
HAVANA - O general Raúl Castro completará na próxima quinta-feira seus primeiros 10 meses como presidente interino de Cuba, com uma política continuísta mas adotando um estilo de Governo muito diferente do que caracteriza seu irmão mais velho e chefe da revolução, Fidel Castro.
Desde 31 de julho de 2006, quando Fidel Castro delegou provisoriamente o poder a seu irmão e outros seis homens de sua confiança, o país mantém a normalidade. Os cubanos se acostumaram aos breves discursos do ministro das Forças Armadas Revolucionárias, que a imprensa oficial evita chamar de presidente interino.
Em seus poucos eventos públicos, Raúl Castro, que no dia 3 de junho completará 76 anos, deixou claro que não pretende imitar o estilo de seu irmão. Os longos discursos característicos do líder cubano foram deixados de lado.
- Quando alguém tenta imitar, fracassa - afirmou, em dezembro, no encerramento do Congresso da Federação Estudantil Universitária (FEU).
- Os discursos ficam para os quadros do partido mais próximos do tema. Nos assuntos importantes do Conselho de Ministros, é assim que costumamos fazer - disse na ocasião. - Não é necessário pronunciar discursos longos como os de Fidel - acrescentou.
Considerado mais pragmático que Fidel Castro mas com uma personalidade menos carismática, Raúl Castro tem afirmado seu propósito de combater a corrupção e buscar soluções para os problemas cotidianos da população, como o transporte e a habitação.
Desde que assumiu provisoriamente a chefia do país, ele substituiu os ministros de Justiça, Recursos Hidráulicos, Transportes, e Informática e Comunicações. Mas nestes 10 meses não houve mudanças significativas na vida dos cubanos.
As medidas de incipiente abertura econômica que muitos esperavam do general Castro não se aconteceram. As suas iniciativas, porém, foram bem recebidas pela população. Foi o caso do fim das restrições para a importação de produtos elétricos e de autopeças.
- Estamos num momento de incerteza, com uma concentração de decisões por um lado e sinais de certa abertura por outro - comentou recentemente um analista consultado pela Efe.
Analistas ocidentais e diplomatas afirmam que é difícil saber com precisão como são tomadas as decisões mais importantes no país neste momento.
Fidel Castro, que nos dois últimos meses parece se restringir ao seu novo papel de editorialista, não contribui para esclarecer a confusão dos observadores.
No último artigo em que se referiu à sua saúde, publicado dia 23 de maio, o chefe da revolução afirmou que, após sofrer várias operações, está melhorando. Mas sugeriu que não aparecerá em público em breve e não ofereceu pistas sobre seu possível retorno ao poder.
- Faço por enquanto o que devo fazer, especialmente refletir e escrever sobre questões que julgo de certa importância e transcendência. Tenho muito material pendente - disse.
O presidente da Assembléia Nacional do Poder Popular (Parlamento), Ricardo Alarcón, disse na última terça-feira que Fidel Castro continuará tendo grandes responsabilidades, como presidente de Cuba, em declarações a uma rede de televisão colombiana.
Raúl Castro, segundo um funcionário cubano que pediu o anonimato, está ciente das principais reivindicações da população. Além disso, trabalha estreitamente com os órgãos do Partido Comunista de Cuba.
Uma enquete elaborada pelo jornal oficial Juventud Rebelde revelou em dezembro que a economia é a principal preocupação dos jovens cubanos.
- Queria um país no qual as pessoas tivessem o dinheiro para atender às suas necessidades, que os preços dos produtos estivessem à altura do salário dos trabalhadores e que mantivesse igualdade entre todos - disse um dos entrevistados.
