Venezuelanos mantêm protestos contra fim da RCTV
Agência EFE
CARACAS - Milhares de venezuelanos saíram às ruas nesta terça-feira, pelo terceiro dia seguido, contra a decisão do presidente Hugo Chávez de não renovar a concessão da emissora RCTV, em uma nova demonstração de polarização no país. A RCTV, o canal de televisão mais antigo da Venezuela, acusado por Chávez de 'golpista' e antidemocrático', deixou de ser transmitido à meia-noite de domingo, depois de 53 anos de existência, para ser substituído pela TVes, uma nova emissora estatal.
Desde domingo estão acontecendo passeatas e protestos em várias partes do país, umas para rechaçar a medida e outras para apoiá-la.
A polícia já usou balas de borracha, jatos d'água e gás lacrimogêneo para dispersar as manifestações, depois de ser agredida com pedras, paus e garrafas. Os choques deixaram dezenas de feridos.
O governo afirma que a nova TVes será uma emissora de 'serviço público', independente, e garante que ela terá espaço para a pluralidade. Mas os venezuelanos temem que ela se transforme em mais uma TV a serviço do governo.
Na terça-feira, milhares de estudantes identificados com o projeto 'socialista' de Chávez reuniram-se numa praça no Centro de Caracas e depois fizeram passeata até o palácio presidencial de Miraflores. - Estamos na defesa solidária da decisão soberana do governo revolucionário do nosso presidente, Hugo Chávez, de não renovar a concessão desse canal nefasto de televisão que se chamava RCTV - disse Luis Alvarez, estudante da Universidade Bolivariana da Venezuela.
Alguns analistas acham que a decisão de não renovar a concessão da RCTV faz parte de um plano para intimidar os outros meios de comunicação, para que eles não critiquem a revolução socialista.
