Putin pede à UE que deixe de considerar a Rússia como um monstro

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Agência EFE

MOSCOU - O presidente russo, Vladimir Putin, pediu à União Européia (UE) que deixe de considerar a Rússia como um 'monstro', após sua reunião com o primeiro-ministro português, José Sócrates, em visita oficial ao país.

- Deixemos de falar que, por um lado, temos um anjinho, e, por outro, um monstro que acaba de sair da floresta e que tem patas, em vez de pés, e com chifres - disse Putin em entrevista coletiva.

Putin pediu à UE que não use estes argumentos na hora de resolver polêmicas como a proibição das importações da carne polonesa, o que impediu o início das negociações para a assinatura de um novo acordo entre Moscou e Bruxelas.

- Vamos falar de maneira franca e solucionar os problemas com as cartas abertas, sem arrogância e como parceiros - ressaltou.

Putin afirmou que a Rússia já deu sinais positivos de que está disposta a cooperar para solucionar o problema da carne polonesa, submetida ao embargo russo desde o fim de 2005.

- Estamos dispostos a abrir nosso mercado a algumas companhias polonesas que poderiam nos fornecer cabeças de gado vivas para seu processamento na Rússia. Achamos que este é um sinal suficientemente positivo - disse.

O presidente russo antecipou que abordará este assunto com a chanceler alemã, Angela Merkel, durante a cúpula do G8 - sete países mais industrializados e a Rússia - que será realizada de 6 a 8 de junho na Alemanha.

Putin expressou sua esperança de que a Presidência portuguesa da UE, que começa em 1º de julho, dê 'um novo impulso à cooperação entre Moscou e Bruxelas'. Quanto às relações entre os dois países, Putin disse que estas se desenvolvem de 'forma bem-sucedida' e calculou a troca comercial em quase US$ 1,5 bilhão.

O presidente russo revelou que tinha abordado a possibilidade de criar em território português um centro de manutenção e venda de equipamentos de aviação. Sócrates, que em 1º de julho assumirá a Presidência rotativa da UE, afirmou que os países do bloco não podem se dirigir à Rússia com um tom didático.

- Não há nada pior que quando um país tenta dar lições a outro. É preciso fugir disso. Devemos falar de maneira honesta e franca uns com outros e não dar lições de moral - afirmou.