Blair chama a atenção para a África com viagem

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Agência EFE

LONDRES - O primeiro-ministro do Reino Unido, Tony Blair, realiza esta semana uma viagem pela África, pretendendo destacar alguns dos maiores êxitos de sua política externa e chamar a atenção dos países ricos para o continente.

Sua última viagem oficial como premier durará cinco dias, começando nesta terça-feira, e o levará a Líbia, Serra Leoa e África do Sul, onde tratará de temas como a ajuda ao desenvolvimento, mudança climática e negociações multilaterais de comércio, todos cruciais para o futuro de muitos países.

Em certa ocasião, Blair se referiu à África como 'um peso na consciência do mundo' e, segundo os observadores, fez mais pelo continente que qualquer outro primeiro-ministro britânico.

O líder trabalhista colocou a África no centro da agenda nos dois períodos de gestão britânica da União Européia e do G8 (sete países mais desenvolvidos e a Rússia) em 2005, e pretende agora que ela não seja esquecida também nas cúpulas sob Presidência alemã, as últimas às quais assistirá antes de deixar o poder, em 27 de junho.

A viagem acontecerá uma semana antes da reunião do G8 na localidade alemã de Heiligendamm, quando a chanceler federal alemã, Angela Merkel, tentará convencer os demais Governos a cumprirem os compromissos firmados há dois anos em Gleneagles (Escócia).

A primeira escala de Blair na África será em um país árabe, a Líbia, onde se reunirá com o líder do país, coronel Muamar Kadafi, que passou de inimigo dos países ocidentais para um interlocutor aceitável depois de renunciar a suas ambições nucleares.

Em 2004, Blair se tornou o primeiro líder do Reino Unido a visitar a Líbia em 60 anos, depois que Kadafi renunciou às armas de destruição em massa e entregou os agentes líbios acusados de ter colocado uma bomba em um avião da Pan Am que explodiu em pleno vôo em Lockerbie (Escócia), em 1988.

Após a Líbia, o primeiro-ministro se dirigirá para Serra Leoa, antiga colônia do Reino Unido, onde em 2000 ordenou uma das operações militares mais bem-sucedidas de seu Governo, na qual alguns enxergaram o começo de uma política de 'intervencionismo humanitário'.

Para tirar o país africano do caos que o tinha afundado em uma longa guerra civil, Blair teve que vencer o ceticismo dos conservadores em casa e do então presidente americano, Bill Clinton, que não tinha muito interesse neste tipo de aventura após uma frustrada intervenção de tropas dos Estados Unidos na Somália.

Na África do Sul, onde estará na quinta e sexta-feira, Blair se reunirá com o presidente do país, Thabo Mbeki, e fará um discurso, que, como anteciparam fontes de Downing Street, insistirá na necessidade da paz e no bom Governo para melhorar a vida dos povos do continente, castigado por guerras étnicas e desastres naturais.

Segundo fontes oficiais, um dos temas que Blair tratará nas reuniões com os líderes africanos é o da crise humanitária na província de Darfur, no oeste do Sudão.

Outro assunto de grande importância é a mudança climática: segundo os analistas, 250 milhões de africanos poderiam sofrer as conseqüências desastrosas da escassez de água na África até 2020 como conseqüência do aquecimento global.

A organização Oxfam lembrou esta semana em um relatório que os países do G8 ainda não desembolsaram 80% dos US$ 50 bilhões considerados necessários para ajudar os países pobres a enfrentar o impacto do efeito estufa.