Nobel de Literatura nigeriano pede fim do genocídio em Darfur
Agência EFE
LONDRES - O prêmio Nobel de Literatura nigeriano, Wole Soyinka, afirmou que o genocídio de Darfur, que já deixou 'mais de dois milhões de refugiados, não pode continuar'.
Em entrevista publicada nesta segunda-feira pelo jornal 'The Guardian', Soyinka, que participa do festival literário de Hay-on-Wye (Gales), confessa não entender 'como uma coisa assim pode ocorrer no século XXI'.
Soyinka presidiu em novembro de 2006 um julgamento simbólico contra o presidente sudanês, Omar al-Bashir, que foi declarado à revelia culpado de 'crimes contra a humanidade' devido ao conflito em Darfur.
Aquele foi 'um julgamento simbólico, mas muito sério', explicou o poeta, romancista e dramaturgo africano, já que pessoas cujos parentes foram assassinados ou estuprados prestaram depoimento durante o processo.
- Testemunharam sobre os crimes de guerra das milícias Janjaweed (que atuam com o apoio do Governo sudanês), que saqueiam as aldeias e matam os (membros da etnia) Nuba todo o tempo, ressaltou.
Soyinka se pergunta por que estes aprendizes de ditadores não aprendem de uma vez com a história, 'em vez de nos obrigar a denunciar seus crimes'.
- Por que isso tem que ocorrer várias vezes?, questionou.
O autor nigeriano criticou também os fundamentalistas religiosos, que 'acreditam ter uma linha direta com Deus', como é o caso, segundo ele, do presidente nigeriano, Olusegun Obasanjo, e do americano, George W. Bush.
Estes políticos não se importam com o que o mundo pensará, contando que tenham a 'aprovação de Deus', diz Soyinka, segundo o qual se trata 'do fundamentalismo mais perigoso, que levou à Guerra do Iraque'.
