Líderes e entidades criticam fim da RCTV
Agência EFE
CARACAS - O fim da concessão ao canal privado venezuelano RCTV foi amplamente criticado nesta segunda-feira por líderes políticos e entidades de diferentes países, que defenderam a democracia e a liberdade de expressão.
Um dos primeiros a se pronunciar foi o presidente do Peru, Alan García, que afirmou se opor ao fechamento de qualquer meio de comunicação, já que, segundo ele, "a liberdade de expressão é um direito que não tem limites".
- Lamento muito pelo fechamento de qualquer meio de comunicação -, afirmou.
García disse esperar que o fechamento da RCTV não se transforme em uma diretriz política do presidente venezuelano, Hugo Chávez, mas descartou qualquer sanção contra a Venezuela na Assembléia Geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), que será realizada em junho, no Panamá.
O canal privado RCTV saiu do ar à meia-noite do último domingo, depois que o governo venezuelano decidiu não renovar a concessão para a empresa, que operava há 53 anos no país. Em defesa da emissora, também se manifestou o vice-presidente da Colômbia, Francisco Santos, que lamentou o fim das transmissões do canal, que, segundo ele, "vai fazer falta à América Latina".
- Cada país tem a possibilidade de tomar suas decisões. O que é certo é que a RCTV era um símbolo da televisão -, disse Santos a jornalistas, em Bogotá.
Já o ex-presidente do Uruguai Julio María Sanguinetti adotou uma postura mais crítica e afirmou que o Mercosul, ao qual a Venezuela está em fase de adesão plena, "deve analisar" o caso da RCTV. O Mercosul, bloco fundado por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, "tem uma cláusula democrática que é essencial e, em virtude dela, deveria se estudar o caso da RCTV", acrescentou Sanguinetti.
- A Venezuela está entrando em um terreno muito preocupante de deterioração da democracia, do qual o fechamento da RCTV é um novo exemplo -, concluiu o uruguaio.
Uma reivindicação similar foi feita pelo Centro para Abertura e Desenvolvimento para a América Latina (Cadal), da Argentina, que pediu que o Mercosul "interceda" junto a Chávez para que desista do fim da concessão da RCTV. O Cadal divulgou um comunicado no qual intelectuais, profissionais e dirigentes políticos afirmaram que o fim das transmissões da RCTV pressupõe "um sério retrocesso para a liberdade de expressão na Venezuela".
A imprensa latino-americana não ficou indiferente à polêmica, e muitos meios de comunicação dedicaram seus editoriais desta segunda-feira ao caso. Alguns chegaram mesmo a suspender suas transmissões durante minutos, em solidariedade à emissora venezuelana.
Em El Salvador, os canais de televisão paralisaram durante cinco minutos suas transmissões, em um protesto convocado pela Associação Salvadorenha de Radiodifusores. A imprensa do país suspendeu suas atividades às 9h (horário de Brasília) e anunciou que repetiria a ação pela noite.
Uma medida similar foi adotada por 130 emissoras de rádio da Costa Rica, que acataram um minuto de silêncio convocado pela Câmara Nacional de Rádio. Seu presidente, Juan Sepulveda, qualificou o caso como "um atentado contra a liberdade de expressão".
De Paris, a organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF) fez um apelo pela mobilização internacional em defesa da RCTV e afirmou que a decisão do governo venezuelano constitui um "grave atentado à liberdade de expressão", e "um duro golpe na democracia e no pluralismo".
- Atacando a RCTV, Hugo Chávez reduziu ao silêncio a televisão mais popular do país e o único canal nacional que ainda o criticava -, afirmou a RSF em comunicado.
