Farc completam 43 anos disposta a negociar troca de reféns
Agência EFE
RIO - As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), a maior e mais antiga guerrilha do país, completaram 43 anos nesta segunda-feira, e disseram estar dispostas a negociar uma solução do conflito e uma troca de reféns por rebeldes presos.
"Reafirmamos nossa convicção sobre uma solução política para o problema nacional", afirmaram as Farc em mensagem divulgada na Internet.
Além disso, expressaram "plena disposição" para "concretizar o mais breve possível uma troca de prisioneiros de guerra, para o que é necessário um encontro com o Governo nacional".
No entanto, reiteraram a exigência de que o Governo desmilitarize dois municípios do departamento de Valle del Cauca - Pradera e Florida - para aceitar negociar a libertação dos reféns.
As Farc mantêm pelo menos 3 mil pessoas em cativeiros, de acordo com dados de ONGs. Desse total, 56 fazem parte de uma lista de reféns que podem ser trocados, entre os quais estão políticos, soldados, policiais e cidadãos americanos. A guerrilha quer que o Governo solte cerca de 500 combatentes presos.
Na nota, os rebeldes não se referiram à proposta feita pelo presidente colombiano, Álvaro Uribe, de soltar em massa guerrilheiros das Farc em troca da liberdade dos reféns.
O chefe de Estado fez a oferta no dia 11 de maio e ampliou-a na semana passada, ao mencionar que o Executivo estuda mecanismos jurídicos para as primeiras libertações, que devem começar antes de 7 de junho "por razões de Estado" que não explicou.
O presidente reiterou que não haverá desmilitarização de territórios.
Na mesma mensagem, as Farc acusaram Uribe de dirigir "um Estado paramilitar e mafioso de características fascistas", em alusão às negociações de paz com a organização de direita Autodefesas Unidas da Colômbia (AUC).
A guerrilha lembrou que em 1964 o Governo do então presidente conservador Guillermo León Valencia (1962-66) lançou uma ofensiva com 16 mil soldados contra o grupo de rebeldes, nas montanhas do departamento de Tolima.
As Farc reafirmaram a convocação à "Nova Colômbia, Pátria Grande e Socialismo" feita em sua "9º conferência", realizada em 2006 nas montanhas colombianas.
O grupo tem atualmente cerca de 17 mil integrantes distribuídos pelas 50 facções que operam em dois terços do território colombiano.
