EUA e Irã fazem encontro raro para debater violência no Iraque
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BAGDÁ - EUA e Irã fazem encontro raro para debater violência no Iraque
Por Ross Colvin
BAGDÁ (Reuters) - Autoridades dos Estados Unidos e do Irã promoverão nesta segunda-feira um raro encontro para debater a segurança no Iraque, onde Teerã estaria fomentando a violência, segundo alegações de Washington.
O encontro entre os embaixadores norte-americano, Ryan Crocker, e iraniano, Kazemi-Qomi, marca uma reversão na política de Washington, que rompeu laços com o Irã em 1980 e tem procurado isolar a república islâmica nos últimos anos.
O programa nuclear iraniano, que Washington acredita ser uma tentativa de desenvolvimento de armas atômicas sob cobertura de um plano de gerar eletricidade, não será debatido.
O Iraque, que afirma não querer se tornar um campo de batalha para os dois inimigos, saudou o encontro de segunda-feira.
- Acho que é um acontecimento positivo. Devemos incentivá-lo. É só o começo do processo, disse à Reuters o ministro do Exterior do Iraque, Hoshiyar Zebari.
Autoridades iraquianas também participarão do encontro, cujo local não foi divulgado.
As negociações acontecem dois dias depois de Teerã afirmar ter descoberto redes de espiões ocidentais em seu território e no momento em que navios dos EUA fazem exercícios de guerra no Golfo.
Anthony Cordesman, especialistas em Oriente Médio no Centro de Estratégia e Estudos Internacionais de Washington, disse não esperar muito do encontro.
- Os EUA sabem o que querem do Irã, mas estão muito longe de conseguir. Os EUA querem que o Irã pare de apoiar milícias xiitas e de fornecer armas. Ao mesmo tempo, o governo não pode oferecer muito em troca, disse.
O embaixador Crocker afirmou que também não espera avanços 'espetaculares' no encontro. Autoridades dos EUA dizem que pressionarão o Irã pela adoção de medidas para reduzir a violência no Iraque.
Nos últimos meses, militares dos EUA detectaram bombas mais poderosas instaladas em margens de ruas e outras armas que afirmam ser fornecida pelo Irã a militantes do Iraque para atingir norte-americanos.
O Irã nega estar fomentando a violência e pede a saída das forças dos EUA do Iraque, afirmando que suas presença fomenta a violência entre sunitas e a maioria xiita.
