Colômbia prepara decretos para soltar políticos e guerrilheiros
Agência EFE
BOGOTÁ - O Governo da Colômbia está redigindo os decretos de libertação de políticos presos ligados a paramilitares e de guerrilheiros das Farc. A lei de benefícios aos envolvidos com o escândalo da chamada 'parapolítica' (políticos vinculados a chefes paramilitares), 'será apresentada em poucos dias e teria só um artigo', declarou o assessor presidencial José Obdulio Gaviria.
Os decretos, inclusive o da saída da prisão de guerrilheiros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), estão sendo preparados pelo Governo, que trabalha no texto há vários dias, assinalaram fontes do Executivo.
O presidente Álvaro Uribe surpreendeu na última terça-feira, quando fez a primeira proposta que beneficiaria os congressistas presos por laços com paramilitares, e que cumpririam suas penas em prisão domiciliar.
- Acho que sem anistiar nem indultar, em caso de crimes hediondos, temos que nos preparar para dar o benefício da libertação a quem confessar a verdade - disse Uribe.
Treze parlamentares, dois ex-governadores e outros políticos estão presos por suposta ligação com chefes das Autodefesas Unidas da Colômbia (AUC).
Na sexta-feira passada, o presidente colombiano anunciou que, até 7 de junho, terá concretizado uma libertação em massa de guerrilheiros presos. Com isso, espera 'um gesto' das Farc para soltar 56 reféns considerados 'trocáveis' pela guerrilha.
As Farc mantêm seqüestrada a ex-candidata presidencial Ingrid Betancourt (que também tem nacionalidade francesa), três americanos e dezenas de soldados, policiais e políticos, entre outros. O grupo pretende trocá-los por 500 guerrilheiros presos.
A proposta de libertar pessoas com vínculos com grupos ilegais, segundo opositores, 'passa por cima da lei', disse hoje a parlamentar Gina Parody. Paradoxalmente, ela pertence ao Partido Social de Unidade Nacional, aliado de Uribe.
- Os congressistas presos, por exemplo, não estão colaborando com a Justiça, não estão dizendo a verdade. Pelo contrário, foi a Justiça que reconstruiu os fatos - explicou Parody.
