Angola lembra os 80 mil mortos da 1ª tentativa de golpe de Estado
Agência EFE
LUANDA - Os sobreviventes da primeira revolta popular ocorrida há 30 anos em Angola lembraram nesta segunda-feira em Luanda, capital do país, as 80 mil pessoas que perderam a vida nela.
Durante o ato, uma coroa de flores foi depositada no túmulo do soldado desconhecido, em memória aos mortos pertencentes à chamada Revolta Ativa.
- Milhares de pessoas que se concentraram há 30 anos junto ao Palácio Presidencial para fazer ouvir suas vozes receberam tiros como única resposta, disse a presidente da Fundação 27 de Maio e sobrevivente desse acontecimento, Silva Mateus.
Os membros da Revolta Ativa, uma facção do partido governante Movimento para a Libertação de Angola (MPLA) liderada por Nito Alves, 'não queriam que o país caminhasse em direção ao neocolonialismo', disse o dirigente.
Desde sua independência, em 1975, o país foi governado pelo MPLA, primeiro com Agostinho Neto e, após sua morte em 1979, com o atual líder, José Eduardo dos Santos.
Os líderes daquele levante como Nito Alves, José Van-Dunem, Sita Vales e Bakalof, assim como outros mortos e massacrados, foram promovidos a generais de quatro estrelas a título póstumo pelo atual Governo e atualmente estão enterrados no museu das Forças Armadas.
- Aqueles eventos marcam até hoje a vida dos angolanos, disse Mateus.
- O povo está cansado dos maus tratos praticados pelo presidente José Eduardo dos Santos, mas ninguém se atreve a contrariar o Governo atual devido à trágica condição de 27 de maio de 1977, acrescentou.
Depois da tentativa de golpe de Estado, o então presidente Agostinho Neto começou a perseguir e matar todos os suspeitos de pertencer à facção de Alves.
Começou assim uma série de prisões e assassinatos ao longo de todo o país, incluindo a morte de Alves, que se estenderia até finais de 1978, com a política de clemência.
Angola se transformou na segunda potência petrolífera na África, depois da Nigéria, mas os lucros não chegam à maioria da população.
O desemprego afeta mais da metade da força de trabalho, 70% da população vive abaixo da linha da pobreza e, segundo dados do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, só um de cada três adultos sabe ler e escrever.
