Irregularidades marcam plebiscito na Síria
Agência EFE
DAMASCO - Os sírios votaram hoje para confirmar em plebiscito um novo mandato de sete anos para o presidente Bashar al-Assad, enquanto a pequena oposição que ainda continua ativa no país criticou a 'farsa eleitoral'.
Segundo a imprensa oficial síria, a participação neste "plebiscito confirmativo' foi tão grande que foi necessário prolongar as atividades de votação por mais três horas, até às 22h hora local (16h em Brasília).
Antes do encerramento definitivo, algumas pessoas começaram a soltar fogos de artifício em diferentes pontos da capital para comemorar a vitória de Assad antecipadamente. O ativista político e advogado Haizam al-Maleh afirmou hoje que o plebiscito era uma farsa do regime para enviar uma mensagem de união ao exterior e uma de força ao interior.
- Todos os sírios dançam com Bashar: essa é a mensagem do regime - disse irônico o advogado, em referência aos comitês eleitorais que foram montados em todo o país e nos quais durante duas semanas milhares de sírios e várias autoridades dançaram o 'dabke', tradicional dança da região, em homenagem ao presidente.
Para Maleh, de 75 anos, há quatro sem poder sair do país, a grande quantidade de meios de comunicação recrutada pelas autoridades no dia das eleições e as atividades prévias para elogiar a imagem do presidente 'são uma maneira de oprimir e atemorizar'. O porta-voz da União Árabe Socialista, Hassan Abulazim, afirmou hoje em comunicado que 'o grupo não é contra a pessoa de Assad, mas contra o processo, no qual não há representação de outros partidos'.
- Pedimos reformas. As nomeações não podem ficar restritas à do (governante) partido Baath. É preciso dar oportunidade a outros candidatos - disse.
A maioria de opositores ativos no início do mandato de Bashar, agora estão presos ou sendo processados por diferentes delitos, como "difamar o estado' ou 'debilitar o sentimento nacional'. As eleições de hoje aconteceram em meio a um ambiente festivo, com inúmeras irregularidades. Em nenhum dos colégios eleitorais visitados no centro da capital síria havia cabines à disposição dos eleitores para preencher as cédulas secretamente e a propaganda eleitoral invadia a sala em alguns locais.
Alguns eleitores exerceram o direito de voto várias vezes e em nome de amigos ou familiares, apresentando documentos de identidade.
- Uma amiga minha que não quis sair para votar deu a carteira a sua mãe para que votasse por ela - contou com toda naturalidade uma das poucas pessoas que falaram sem restrições sobre as eleições.
Os que foram às urnas preenchiam as cédulas em meio a fotos do presidente e canções patrióticas; sobre as urnas, nas costas de algum eleitor ou como melhor podiam, mas sempre para dizer 'sim'. A imprensa também encorajou hoje o apoio ao presidente. O jornal 'Al Zaura' amanheceu com um círculo verde, o mesmo que aparece nas cédulas eleitorais, ocupando toda a superfície no qual está escrito 'sim' e, mais abaixo, 'hoje e todos os dias'.
O periódico 'Al-Baath' também pediu o sim 'para quem diz não à traição e à rendição', enquanto o terceiro grande jornal estatal, o "Tishrin' abriu esta manhã com apenas um título: 'Seguimos o caminho contigo'. Segundo fontes oficiais, a participação foi muito alta tanto em Damasco como em todas as províncias, embora ainda não haja dados oficiais.
Assad encara sua reeleição após concluir o primeiro mandato no comando do país, que começou em julho de 2000, um mês depois da morte de seu pai, Hafez al-Assad.
Foi eleito candidato único pelo partido Baath e confirmado primeiro pelo Parlamento e depois pelo povo num plebiscito no qual a percentagem de 'sim' alcançou 97,29%. O ministro do Interior, Basam Abdul Mayid, deve anunciar oficialmente os resultados do plebiscito às 18h desta segunda-feira (12h em Brasília), na Assembléia do Povo (Parlamento) em sessão extraordinária.
