Assembléia Parlamentar da Otan encerra reuniões na Ilha da Madeira
Agência EFE
FUNCHAL (PORTUGAL) - As comissões da Assembléia Parlamentar da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) assinalaram hoje, ao término de seus debates, que a estabilidade nos Bálcãs e no Oriente Médio devem se transformar em prioridades para a organização atlântica. Nos três dias da conferência realizada em Funchal, capital da região autônoma portuguesa da Ilha da Madeira, nos quais foram examinadas as questões geopolíticas de maior interesse para a Otan, foi ressaltada também a necessidade de melhorar a situação no Afeganistão, para o que o apoio internacional é necessário.
A Assembléia, fórum interparlamentar dos 45 Estados-membros e convidados da organização, que não tem capacidade decisória, mas promove o consenso em seu meio, submeterá seus documentos à avaliação do secretário-geral da Otan, Jaap de Hoop Scheffer que também participou da reunião. Os mais de 300 parlamentares presentes analisaram relatórios sobre os principais focos de tensão internacional e, faltando conclusões formais, deram também muita atenção ao projeto de instalação de um escudo antimísseis no Leste Europeu, justificado pelos Estados Unidos devido à ameaça do Irã.
Na comissão de Defesa e Segurança da Assembléia foram ressaltados os problemas internos sofridos por Albânia, Croácia e Macedônia e a conveniência de facilitar sua integração na estrutura da Otan, à qual são candidatos oficiais. O documento da Assembléia sobre os três aspirantes ressaltou que o incentivo de se unir à Otan levou seus Governos a iniciar importantes reformas em suas forças armadas. O Comitê de Segurança não apontou, no entanto, uma data para a entrada efetiva dos três estados na Otan, que oficialmente depende do cumprimento das condições políticas e militares necessárias.
Em termos parecidos se falou de Montenegro, país do qual se reconhece uma vontade inequívoca de se unir à Otan que, no entanto, deve se traduzir em uma profunda reforma prévia de suas forças armadas. Na mesma região dos Bálcãs, sobre cuja influência na segurança atlântica vários discursos chamaram a atenção, o Kosovo e suas aspirações de soberania centraram a atenção dos representantes parlamentares com exortações para se preservar a paz na região que quer se separar da Sérvia.
Mas em matéria de problemas imediatos, os discursos e debates destacaram sobretudo o projeto de escudo antimísseis americano, ao qual a Rússia se opõe. A delegação americana se referiu à ameaça do poder bélico iraniano contra o mundo ocidental para justificar a instalação do sistema defensivo, cujo guarda-chuvas, segundo disseram à agência Efe os representantes espanhóis, terminará na Itália. Daniel Fata, responsável do Departamento de Defesa dos EUA para a Otan e Europa, explicou na Assembléia que a corrida armamentista do regime islâmico põe em perigo tanto a segurança de seu país como a do velho continente.
Para combater esse e outros possíveis focos de insegurança Washington quer colocar na Polônia dez silos para lançamentos de foguetes de interceptação e na República Tcheca uma base de radares de detecção e acompanhamento.
Sobre a oposição da Rússia ao projeto, o representante dos EUA disse que seu país não aceitará um veto de Moscou e lembrou que o país conta há muito tempo com seu próprio escudo antimísseis.
Mas os americanos também mostraram que querem a conciliação com a Rússia, que levou uma delegação para Funchal, lembrando que Moscou enfrenta problemas de segurança parecidos com os ocidentais e Washington está disposto a usar o escudo em sua defesa. Os parlamentares da Assembléia da Otan concluíram hoje os debates e relatórios com a análise da situação do Afeganistão, considerado outro foco de instabilidade mundial.
O relatório do trabalhista britânico Frank Cook reconheceu que o país asiático conseguiu melhoras econômicas e políticas importantes desde a queda dos talibãs, mas ainda atravessa graves dificuldades, como o ressurgimento dos derrotados e o auge do tráfico de ópio, aconselhando a manutenção do apoio da Otan.
