Líder xiita radical volta ao Iraque após quatro meses no Irã
Agência EFE
BAGDÁ - O líder radical dos xiitas iraquianos Moqtada al-Sadr, depois de quase quatro meses de exílio voluntário no Irã, voltou discretamente ao Iraque.
Sadr terá que enfrentar um racha nas milícias do Exército Mehdi, devido à intensificação das operações militares dos Estados Unidos em Bagdá.
O clérigo xiita, que para seus seguidores é descendente do profeta Maomé, cruzou a fronteira entre Irã e Iraque há quase uma semana e se instalou na localidade de Kufa, perto de Najaf.
O número dois do comando americano no Iraque, tenente-general Raymond Odierno, e o major-general Joseph Fil, comandante da Primeira Divisão de Cavalaria, que lidera a atual ofensiva em Bagdá, acreditam que Sadr pode pronunciar uma homilia em sua mesquita, em Kufa, nesta sexta-feira, dia sagrado para os muçulmanos.
- Ele tem uma influência enorme sobre a população, portanto é importante prestar atenção nas suas ações - comentou Fil.
Odierno revelou que, segundo alguns analistas, Sadr poderia estar disposto a entrar em negociações secretas com os EUA. Seria uma grande mudança de atitude. O Exército Mehdi, chefiado pelo clérigo, travou violentos combates com as forças americanas em 2004.
Sadr foi para o Irã pouco antes de os EUA intensificarem suas operações militares na capital. Ele não quis que o Exército Mehdi opusesse resistência. A passividade, aparentemente, irritou parte das milícias, e algumas unidades atacaram a fortemente protegida zona verde no centro da capital, segundo Fil.
O próprio secretário de Defesa dos EUA, Robert Gates, comentou em março que claramente existem divisões dentro do movimento, provavelmente exacerbadas pela ausência de Sadr.
Sadr exigiu que o primeiro-ministro iraquiano, Nouri al-Maliki, estabelecesse um prazo para a retirada total das forças estrangeiras. Como o governante não atendeu ao seu pedido, ele ordenou a retirada, há pouco mais de um mês, os seis ministros do Movimento Sadrista que integravam o gabinete.
O Movimento Sadrista ainda conta com 30 das 275 cadeiras do Parlamento iraquiano.
