Líder xiita radical volta ao Iraque após quatro meses no Irã

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Agência EFE

WASHINGTON - O líder radical dos xiitas iraquianos Moqtada al-Sadr, depois de quase quatro meses de exílio voluntário no Irã, voltou 'discretamente' ao Iraque, informaram nesta sexta-feira os jornais americanos 'The New York Times' e 'The Washington Post'.

Os dois afirmam que Sadr terá que enfrentar um 'racha' nas milícias do Exército Mehdi, devido à intensificação das operações militares dos Estados Unidos em Bagdá.

O clérigo xiita, que para seus seguidores é descendente do profeta Maomé, cruzou a fronteira entre Irã e Iraque há quase uma semana e se instalou na localidade de Kufa, perto de Najaf, segundo o 'NYT"', que cita 'informações dos serviços secretos' dos EUA, e o "Washington Post', que cita dois generais americanos.

O 'número dois' do comando americano no Iraque, tenente-general Raymond Odierno, e o major-general Joseph Fil, comandante da Primeira Divisão de Cavalaria, que lidera a atual ofensiva em Bagdá, acreditam que Sadr pode pronunciar uma homilia em sua mesquita, em Kufa, nesta sexta-feira, dia sagrado para os muçulmanos.

- Ele tem uma influência enorme sobre a população, portanto é importante prestar atenção nas suas ações, comentou Fil ao "Wasington Post'.

Odierno revelou ao jornal que, segundo alguns analistas, Sadr poderia estar disposto a 'entrar em negociações secretas com os EUA'. Seria uma grande mudança de atitude. O Exército Mehdi, chefiado pelo clérigo, travou violentos combates com as forças americanas em 2004.

Sadr foi para o Irã pouco antes de os EUA intensificarem suas operações militares na capital. Ele não quis que o Exército Mehdi opusesse resistência. A passividade, aparentemente, irritou parte das milícias, e algumas unidades atacaram a fortemente protegida "zona verde' no centro da capital, segundo Fil.

O próprio secretário de Defesa dos EUA, Robert Gates, comentou em março que 'claramente existem divisões dentro do movimento, provavelmente exacerbadas pela ausência de Sadr'.

Sadr exigiu que o primeiro-ministro iraquiano, Nouri al-Maliki, estabelecesse um prazo para a retirada total das forças estrangeiras. Como o governante não atendeu ao seu pedido, ele ordenou a retirada, há pouco mais de um mês, os seis ministros do Movimento Sadrista que integravam o gabinete.

O Movimento Sadrista ainda conta com 30 das 275 cadeiras do Parlamento iraquiano.