Jornal mexicano fecha por medo de novos ataques
Agência EFE
MÉXICO - O jornal 'Cambio Sonora', editado em Hermosillo, no noroeste do México, pela empresa OEM, dirigida por Mario Vázquez Raña, não foi às bancas nesta sexta-feira, devido às ameaças e ataques recebidos, que segundo a diretoria obrigaram a interromper temporariamente as atividades, dado o alto risco para seus trabalhadores e colaboradores.
O grupo OEM edita 70 jornais, além de controlar 24 emissoras de rádio, uma de televisão e 43 sites. A empresa lamentou em comunicado a irresponsabilidade do governador do Estado de Sonora, Eduardo Bours, acusado de não fazer nada para garantir sua segurança.
Em carta aberta divulgada através do site do jornal, o editor mexicano denuncia que 'as ameaças e agressões pretendem privar o público do direito à informação que o jornal oferece'.
- Num momento de alto risco, me vi na imperiosa necessidade, pelo bem de todos, de tomar a dolorosa e difícil decisão de declarar o fechamento temporário do 'Cambio Sonora', acrescenta a carta.
Vázquez Raña lembra, entre outros episódios, o lançamento de uma bomba, dia 17 de abril, contra as instalações do jornal, 'com o evidente propósito de intimidar os trabalhadores e criar um ambiente de terror e medo'.
Apesar disso, acrescenta a carta, o Governo do Estado de Sonora não adotou nenhuma medida de proteção.
Menos de um mês depois, no dia 16 de maio, uma granada de fragmentação foi lançada na sede do jornal e 'só por acaso não feriu ou matou um número indeterminado de trabalhadores', explica Vázquez Raña, denunciando que 'da mesma forma que na ocasião anterior, não houve reação alguma' por parte das autoridades estaduais.
As organizações de defesa da liberdade de expressão vêm denunciando a impunidade que acompanha as intimidações, ataques e atentados contra jornalistas no México. Segundo a ONG Repórteres Sem Fronteiras, dois profissionais foram assassinados neste ano e nove em 2006.
