Em 2003, documentos alertaram EUA de efeitos de guerra do Iraque

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REUTERS

WASHINGTON - Agências de inteligência dos EUA alertaram o governo Bush antes da guerra do Iraque que a Al Qaeda e o Irã poderiam explorar uma invasão norte-americana para ampliar sua influência na região, segundo um novo relatório divulgado na sexta-feira pela Comissão de Inteligência do Senado

Parlamentares democratas viram nisso um claro sinal de que o presidente George W. Bush, um republicano, e seus assessores ignoraram os alertas sobre o caos que poderia se seguir a uma invasão.

- O relatório de hoje mostra que a comunidade de inteligência deu ao governo muitos alertas sobre as dificuldades que enfrentaríamos se a decisão tomada fosse a de ir à guerra - disse o senador democrata John Rockefeller, presidente da comissão.

O líder republicano na comissão, Christopher Bond, disse que o relatório olha para trás de forma muito seletiva, e por isso contestou suas conclusões.

Os EUA invadiram o Iraque em março de 2003. Em janeiro daquele ano, segundo o relatório do Senado, a comunidade de inteligência já previa que a Al Qaeda "provavelmente tentaria explorar qualquer transição pós-guerra no Iraque replicando as táticas que usou no Afeganistão durante o último ano [2002] para montar operações de ataque e fuga contra pessoal dos EUA."

- Alguns militantes islâmicos no Iraque podem se beneficiar dos aumentos no financiamento e no apoio popular, e podem escolher conduzir ataques terroristas contra forças dos EUA no Iraque - concluíam as agências de inteligência.

De acordo com os documentos de 2003, "alguns elementos no governo iraniano podem decidir tentar conter agressivamente a presença dos EUA no Iraque."

Os documentos, que segundo o relatório circularam amplamente no governo, também alertavam para "uma chance significativa de que grupos domésticos [iraquianos] se envolvam em conflitos violentos mutuamente."

A presidente da Câmara, a democrata Nancy Pelosi, tradicional adversária da guerra, disse que o relatório do Senado não surpreende, porque Bush, segundo ela, ignorava sistematicamente os alertas de inteligência.

- O presidente Bush quis ir à guerra no Iraque da pior forma possível, e assim fez - disse ela a jornalistas.

Questionado na véspera em entrevista coletiva sobre os documentos que o Senado liberaria, Bush defendeu sua decisão de invadir o Iraque.

- Indo ao Iraque fomos alertados sobre muitas coisas, algumas das quais aconteceram, outras não. Obviamente, ao tomar uma decisão com tais consequências, pesei os riscos e recompensas de qualquer decisão. Acredito firmemente que o mundo está melhor sem Saddam Hussein no poder.