Kirchner fala sobre possível candidatura de sua esposa à Presidência

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Agência EFE

BUENOS AIRES - O presidente da Argentina, Néstor Kirchner, disse nesta quinta-feira que a candidatura de sua esposa, Cristina Fernández, à Presidência do país, "seria um passo de superação para os argentinos", mas evitou confirmar os planos governistas para as eleições de outubro.

- Tenho uma grande admiração por Cristina. Acho que tem qualidades de estadista, e pode realizar as melhorias institucionais de que o país necessita. É preciso terminar com a teoria absurda da diferença entre homens e mulheres - defendeu.

Apesar dos elogios à primeira-dama, Kirchner não revelou se apoiará a candidatura da atual senadora, ou se tentará a reeleição, no pleito presidencial de 28 de outubro.

O presidente assegura que a legisladora "é inteligente e bondosa, e que o ajudou a resolver muitos problemas".

Kirchner e Cristina Fernández lideram as pesquisas a respeito das eleições por ampla margem de diferença, apesar de o presidente ter mais intenções de voto do que a primeira-dama.

O presidente, que praticamente não concedeu entrevistas nos quatro anos à frente do Governo, falou por mais de uma hora à emissora "Rádio Continental", em meio à campanha para as eleições municipais de Buenos Aires, que serão realizadas no dia 3 de junho.

Longe do tom enérgico que costuma utilizar em seus discursos, Kirchner manteve a serenidade, inclusive ao ser perguntado sobre o suposto pagamento de subornos a funcionários de seu Governo por parte da construtora sueca Skanska.

Além disso, voltou a elogiar seu ministro da Educação, Daniel Filmus, candidato à Prefeitura da capital argentina pelo partido de Kirchner, a Frente para a Vitória (FPV), que aparece em terceiro lugar nas pesquisas.

- Buenos Aires necessita de um estadista para lhe dar a qualidade de que precisa. Daniel é um grande administrador - disse o presidente argentino.

Flimus aparece atrás do candidato de centro-direita Mauricio Macri e do atual prefeito da cidade, Jorge Telerman.

As eleições da capital serão realizadas no primeiro domingo de junho.

Mais de 2,6 milhões de eleitores renovarão, também, metade das 60 cadeiras da Legislatura argentina, consideradas a ante-sala do pleito presidencial de outubro.

Os três aspirantes à Prefeitura de Buenos Aires com possibilidades de vitória participaram, na quarta-feira à noite, de um debate na TV. Filmus ressaltou as vantagens que a capital teria com um governante alinhado com Kirchner.

Segundo Telerman, que ocupa o cargo de prefeito há pouco mais de um ano, o candidato do presidente trabalharia sob controle, como um "delegado do Governo nacional".

Por sua vez, Macri, empresário e presidente do clube de futebol Boca Juniors, "quer manter relações econômicas com o Estado".

O ponto mais crítico do debate aconteceu quanto os candidatos expuseram seus planos para combater a insegurança, e Macri disse que promoverá a criação de um banco de dados genéticos sobre estupradores para evitar reincidências.

Apesar do empresário liderar as enquetes, os analistas acreditam que ele não alcançará a percentagem de votos necessária para evitar um segundo turno.

- É preciso evitar o drama. Quem for eleito deverá ser apoiado, para que realize a melhor gestão possível. Apoiar somente meu candidato seria um ato de paternalismo político de que não gosto - respondeu Kirchner, quando perguntado se vê Filmus como vencedor das eleições municipais.

O chefe de Estado disse, ainda, que, quando seu mandato chegar ao fim, no dia 10 de dezembro, dedicará seu tempo a "assuntos particulares, e será (somente) mais um cidadão".

No entanto, reconheceu que deseja construir "novas expressões políticas", e afirmou que, "na Argentina, a refundação do sistema político é central e fundamental".

- As expressões políticas que respondiam às necessidades dos argentinos estão em crise, e, entre elas, minha própria força - disse o presidente, em referência ao Partido Justicialista (peronista). Kirchner se afastou da legenda ao formar o FPV, de centro-esquerda.

O governante argentino avaliou que, em seu país, "tem que haver uma grande força de centro-esquerda e uma grande força de centro-direita que possam expressar os matizes que a sociedade tem".