Israel pressiona Hamas e prende 33 políticos palestinos

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Agência EFE

JERUSALÉM - Israel intensificou a pressão sobre o Hamas e nesta madrugada o Exército prendeu 33 personalidades do movimento islâmico na Cisjordânia ocupada, entre elas o ministro da Educação, Nassereddin Sha'er.

Sha'er, que segundo o Hamas não está filiado ao movimento e é um "independente', já tinha sido preso em 2006 pelo Exército de Israel após a captura do soldado israelense Gilad Shalit em uma operação de comandos palestinos em Gaza.

Também foram presos os prefeitos de cinco cidades palestinas - Nablus, Kalkilia, Beita, Al-Bireh e Bidia - e três vereadores.

- Este é o assassinato da democracia palestina, reagiu o ministro da Informação da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mustafá Barghouti.

As prisões coincidiram com os esforços do presidente da ANP, Mahmoud Abbas, para assinar um cessar-fogo total com Israel, que não reagiu às ações porque as autoridades militares se opõem a uma trégua com a milícia do Hamas.

Em declarações à emissora das Forças Armadas, 'Galei Tzahal', o ministro da Defesa de Israel, Amir Peretz, disse que 'as prisões são melhores que os disparos' e as operações por terra na Faixa de Gaza.

Abbas avaliará hoje a situação com Israel na Cidade de Gaza com o alto representante de Política Externa e Segurança Comum da União Européia (UE), Javier Solana, que na segunda-feira esteve na cidade israelense de Sderot.

As hostilidades com Israel, após uma trégua de quase seis meses, já duram mais de uma semana por causa do lançamento de foguetes contra Sderot e outras áreas vizinhas da Faixa de Gaza.

Os disparos, reduzidos durante os meses da trégua, foram substituídos este mês por duas semanas de conflitos entre tropas da ANP e do Fatah, leais ao presidente Abbas, com a 'Força Executiva'

do Hamas.

- A prisão dos dirigentes do Hamas é uma mensagem para as organizações militares (palestinas) das quais exigimos o fim dos disparos de foguetes Qassam contra a população civil, disse Peretz.

O gabinete do presidente Abbas emitiu um comunicado condenando a prisão das personalidades do Hamas ao comentar que 'só poderá aumentar as tensões'.

Militares citados na edição de hoje do jornal 'Ha'aretz' rejeitam a trégua com o argumento de que o fim das hostilidades permitirá ao Hamas se fortalecer e estender sua capacidade balística - os Qassam têm alcance de 10 quilômetros.

Os milicianos de Gaza aceitariam a trégua que proposta ontem à noite por Abbas, mas com duas condições: que seja bilateral e que Israel a respeite na Faixa de Gaza e na Cisjordânia.

O Hamas espera reforçar a infra-estrutura terrorista na Judéia e Samária (Cisjordânia), 'segundo o modelo de Gaza', afirma um comunicado de hoje das Forças Armadas após as prisões.

Na noite de quarta-feira, aviões israelenses destruíram três casas de câmbio em Gaza, acusadas de transferir milhões de dólares de Irã e Síria para o Hamas e outros grupos. Nesta madrugada, militares usaram o mesmo argumento para atacar entidades beneficentes islâmicas na Cisjordânia.

Antes da prisão dos políticos palestinos, o Israel também tinha fechado emissoras de rádio e de televisão do Hamas em Nablus e outras localidades.

Centenas de israelenses moradores de Sderot continuaram hoje a deixar suas casas em meio a uma grande desordem e sob o disparo de Qassam. Não havia registro de danos ou vítimas.

Parte deles será instalada em uma 'cidade de tendas de campanha'

com capacidade para mil pessoas, erguida pelo magnata russo Arkadi Gaydamak em um parque de Tel Aviv com a permissão da Prefeitura.