Interpol: países ricos devem ajudar pobres a combater terrorismo

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REUTERS

MUNIQUE - Os países mais ricos do mundo devem dar aos mais pobres o conhecimento e os recursos para o combate ao terrorismo, recomenda o secretário-geral da Interpol, Ronald K. Noble.

Participando de um encontro de ministros do Interior e de Justiça do G8, grupo dos oito países mais industrializados do mundo, Noble disse nesta quinta-feira a jornalistas que a mensagem mais importante que pode sair do evento é:

Deve ser reconhecido que os países mais pobres no mundo que também sofreram ataques terroristas, e também são área de passagem para terroristas, precisam de uma tremenda quantidade de treinamento, equipamento e apoio policial para ajudar os outros países, no caso, o G8, a protegerem seus cidadãos.

Noble foi convidado para informar os ministros sobre questões como a luta global contra pornografia infantil e contra o terrorismo.

Numa rara entrevista, Noble afirmou que é uma perigosa tendência as pessoas acharem 'que se pode construir uma cerca em volta de um país ou em volta de um alvo e, então, significativamente, reduzir a ameaça terrorista'.

- Se há regiões do mundo que nós permitimos que continuem sem apoio, terroristas vão se mudar para lá, treinar lá, planejar lá, viajar de lá para, no fim, nos atacar aonde quer que estejamos - disse ele, sem dar nome a países.

Noble disse que uma de suas maiores preocupações são os passaportes perdidos e roubados, que podem ser adulterados e usados por terroristas.

A Interpol desenvolveu um banco de dados contendo detalhes de cerca de 15 milhões de documentos de viagens de 124 países.

Todos os chamados países de 'passaportes de alto valor' estão inclusos no banco de dados, disse Noble. Ele espera que todos os países entrem eventualmente no banco de dados.

- Eu digo às pessoas que o homem condenado de elaborar o primeiro atentado contra o World Trade Center (em 1993), Ramzi Yousef, entrou nos EUA usando um passaporte iraquiano roubado. Todo passaporte roubado que não é comunicado significa um problema em potencial - disse ele.