Situação em Israel e territórios palestinos não permite avanços
Agência EFE
CAIRO - O alto representante de Política Externa e Segurança Comum da União Européia (UE), Javier Solana, disse hoje no Cairo que a situação de violência nos territórios palestinos e israelense 'não torna viável avanços políticos a curto prazo'. Solana, que se reuniu hoje com o presidente egípcio, Hosni Mubarak, criticou a ameaça do Governo de Israel de incluir o primeiro-ministro da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Ismail Haniyeh, entre os alvos dos 'assassinatos seletivos'.
- A posição da UE, e a minha em particular, sempre foi contrária ao conceito de assassinatos extrajudiciários. Declarações como estas não contribuem para criar um clima propício - disse Solana.
Porém, Solana demonstrou certo otimismo com os avanços que representam a reativação da 'iniciativa árabe de paz', tema de suas reuniões no Egito e do encontro que manterá quinta-feira com o primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, e com o presidente da ANP, Mahmoud Abbas.
A iniciativa árabe de paz, lançada em Beirute em 2002 e renovada na cúpula de Riad de março, propõe, em linhas gerais, o reconhecimento de Israel por parte dos países árabes em troca da retirada israelense das terras ocupadas na guerra de 1967. Hoje à tarde, Solana viajará à Jordânia para discutir a iniciativa com Amã, um dos parceiros designados pela Liga Árabe para promover o plano.
Em referência à anunciada renovação por um ano da missão da UE na passagem fronteiriça de Rafah, entre Gaza e Egito, Solana disse que "alguns elementos deverão ser revisados para torná-la mais eficaz, mas não terá mudanças fundamentais'.
O representante da UE referiu-se também aos confrontos no norte do Líbano entre o Exército e o grupo radical sunita Fatah al-Islam, chamado pelo diplomata espanhol de 'um clássico grupo terrorista, muito pequeno mas conhecido'.
- Espero e desejo que (os confrontos) não sejam uma fagulha que desencadeie uma situação pior - afirmou Solana, reiterando seu apoio total ao Governo do primeiro-ministro libanês, Fouad Siniora.
O diplomata lembrou ainda a reação unitária das facções e partidos libaneses de apoio ao Exército e referiu-se à tranqüilidade que predomina nos outros 12 campos de refugiados.
- Em meu encontro de ontem (terça-feira) à tarde com Siniora (em Beirute), vi como este se reuniu com os líderes palestinos dos diferentes campos e a boa relação que existe - disse.
Solana ressaltou que quando foi obtido um acordo para resolver o conflito no Oriente Médio, deverá ser encontrada uma solução geral para os campos de refugiados palestinos espalhados pela região.
