Putin assina contratos e critica projeto de defesa americano na Europa
Agência AFP
VIENA - O presidente da Rússia, Vladimir Putin, anunciou nesta quarta-feira em Viena a assinatura de contratos importantes entre oligarcas russos e empresas austríacas, depois de ter criticado novamente os projetos de defesa americanos.
Ao término de uma reunião de menos de uma hora com o colega austríaco, Heinz Fischer, na tarde desta quarta-feira, Putin aproveitou a entrevista coletiva conjunta para reiterar sua oposição ao projeto americano de instalar um escudo antimísseis na Europa Central.
O assunto deveria ter sido evocado oficialmente durante o jantar oferecido pelas autoridades austríacas, mas o presidente russo não quis esperar para fazer uma advertência contra a retomada da "corrida armamentista", qualificando o projeto defendido por seu colega americano George W. Bush de "contraproducente".
As primeiras discussões entre os dois homens foram consideradas boas. Porém, existe uma importante divergência: o estatuto do Kosovo.
Viena apóia o projeto do emissário Martti Ahtisaari, que prevê, a longo prazo, a independência desta província sérvia de maioria albanesa.
Ao contrário, Putin reiterou a oposição da Rússia à independência do Kosovo e citou uma resolução da ONU que reconhece o princípio da integridade territorial da Sérvia.
Questionado pela imprensa sobre as críticas em matéria de respeito dos direitos humanos na Rússia, um tema que o chanceler austríaco, Alfred Gusenbauer, prometeu evocar com seu hóspede do Kremlin durante o jantar desta quarta-feira, Putin disse que "é preciso saber ouvir as críticas na Rússia".
Antes da visita, Putin havia desatado uma polêmica ao cancelar uma entrevista com a rede de TV austríaca ORF, que havia transmitido imagens de violência na Chechênia.
No entanto, ele voltou atrás nesta quarta-feira e afirmou que fará a entrevista.
Depois da coletiva, o presidente russo encontrou-se com empresários austríacos, na presença do chanceler Gusenbauer.
Vários bilionários integram a delegação de Putin, que previu assinar cerca de 30 contratos com empresas austríacas por um valor de vários bilhões de euros.
No âmbito da energia, Putin afirmou que o abastecimento da Áustria em gás pela Gazprom estava garantida até 2027.
A Áustria está de olho nos investimentos como o do bilionário russo Oleg Deripaska, que comprou recentemente 30% do capital do grupo austríaco Strabag, o sexto europeu do setor da construção civil.
Segundo Moscou, o comércio entre os dois países chegou a 5,19 bilhões de dólares no ano passado, o que representa um aumento de 45,7% em relação a 2005.
Viena especificou que as empresas austríacas exportaram 2,2 bilhões de euros à Rússia, um aumento de 31,2%.
Várias manifestações foram anunciadas durante a visita do presidente russo.
Dezenas de chechenos protestaram diante da sede do governo para pedir aos dirigentes austríacos que não ignorem a repressão em seu território.
