Abbas e Haniyeh estudarão pedido de trégua a Israel em reunião
Agência EFE
GAZA - O presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, se reunirá nesta quarta-feira novamente com o primeiro-ministro, Ismail Haniyeh, em Gaza, onde tratarão do pedido de uma trégua total a Israel, segundo fontes palestinas.
A trégua não abrangerá só a Faixa de Gaza - onde dez dias de ofensiva aérea israelense mataram 36 pessoas - mas também a Cisjordânia.
Na noite de terça-feira, Abbas se reuniu em segredo com Haniyeh na casa do primeiro-ministro, na faixa territorial, após cancelar o encontro por motivos de segurança, disse à Efe o porta-voz de Abbas, Mohammed Edwan.
Embora não tenham revelado o conteúdo da reunião, os dois dirigentes devem se reunir novamente hoje para analisar o pedido de uma trégua em todos os territórios palestinos a Israel.
Segundo a imprensa local, o segundo encontro acontecerá esta noite, mas Edwan disse que a hora e o local continuam em segredo para proteger Haniyeh. Na terça-feira, o vice-ministro da Defesa israelense, Efraim Sneh, incluiu o primeiro-ministro palestino e líder do Hamas entre os alvos dos 'assassinatos seletivos'.
Abbas deve pedir hoje às várias facções palestinas que respeitem o fim das hostilidades internas como condição prévia à discussão do cessar-fogo com Israel. Além disso, falarão sobre o lançamento de foguetes artesanais por milicianos palestinos de Gaza contra o sul de Israel. Há ainda a possibilidade de discutir reformas nos organismos internos de segurança, assegurou um porta-voz do Fatah, Abdel Hakim Awad.
O vice-primeiro-ministro palestino, Azzam al-Ahmad, assegurou que Haniyeh também assistirá a este encontro, embora o porta-voz do Governo palestino, Ghazi Hamad, precisou que a participação do primeiro-ministro ainda está por confirmar.
Um assessor de Haniyeh, Ahmed Yousef, disse hoje que 'ninguém poderá convencer as facções da resistência palestina a se comprometerem' a respeitar uma trégua com Israel se só se aplicar à Faixa de Gaza.
Na madrugada desta quarta-feira, sete civis ficaram feridos em um bombardeio israelense a uma casa no campo de refugiados de Jabalya, no norte da Faixa, segundo fontes médicas palestinas.
As três pessoas que estavam na casa - um bebê de nove meses, sua mãe e uma criança de dez anos - sofreram ferimentos graves causados pelos estilhaços, segundo o diretor do serviço de emergência do Ministério da Saúde palestino, Muawiya Hasanein.
Pouco depois, a aviação israelense lançou dois mísseis, sem causar feridos, contra um mesmo bloco de edifícios em Gaza que já tinham bombardeado na semana passada, e já estava praticamente destruído.
Segundo o Exército, os dois ataques aéreos desta quarta-feira seriam dirigidos contra depósitos de armas do Hamas. Uma porta-voz militar israelense afirmou que ambos os bombardeios 'atingiram o alvo', sem confirmar a existência de feridos.
De acordo com Hasanein, nos últimos dez dias, Israel já matou 36 pessoas e feriu 138, 37 delas em estado crítico, nas ofensivas aéreas israelenses em represália pelo lançamento de foguetes artesanais Qassam.
O chefe das equipes de socorro acusou Israel de utilizar em Gaza armamento que gera queimaduras de terceiro e quatro grau, proibido pelo direito internacional.
Um militante do Hamas, Abdur Rauf Ajala, de 25 anos, morreu nesta quarta-feira por causa dos ferimentos sofridos em um ataque aéreo israelense na sexta-feira que matou outras três pessoas, segundo médicos palestinas citados pela agência local 'Ma'an'.
Os quatro ativistas viajavam de carro, supostamente para lançar foguetes contra o sul de Israel. Na segunda-feira, um israelense morreu em Sderot, vítima de um desses disparos, o primeiro em seis meses.
Nesta quarta-feira, milicianos palestinos lançaram sem causar feridos vários destes projéteis 'como vingança pelos massacres de Israel', indicaram em vários comunicados os braços armados do Fatah, do Hamas e a Frente Democrática para Libertação da Palestina (FDLP).
O Hamas e a Jihad Islâmica afirmaram nos últimos dias que a ofensiva israelense os permite responder com atentados suicidas nesse país.
Israel abandonou Gaza há dois anos, após o despejo de cerca de 8 mil colonos, mas mantém a área cercada.
Em algumas ocasiões, o Exército avança por ela algumas centenas de metros, além da atual campanha de 'assassinatos seletivos' e da grande operação realizada em meados de 2006 em represália ao seqüestro do soldado Gilad Shalit, ainda refém.
Além disso, o Exército israelense deteve outros seis palestinos em várias localidades da Cisjordânia.
Em Jenin, no norte da Cisjordânia, foi lançado um explosivo contra os soldados. Em Ramala, no centro, e em Kalkilia, no oeste, houve troca de tiros em resposta às incursões. Não houve feridos em nenhum dos casos.
Abbas se reunirá ainda com o alto representante de Política Externa e Segurança Comum da União Européia (UE), Javier Solana, amanhã em Gaza para analisar a trégua entre as facções palestinas.
