Cessar-fogo permite a entrada de ajuda em áreas de risco no Líbano

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REUTERS

NAHR AL BARED (LÍBANO) - O Exército libanês bombardeou na terça-feira, pelo terceiro dia consecutivo, um campo de refugiados palestinos na tentativa de expulsar militantes islâmicos de lá. Um frágil cessar-fogo entrou em vigor, permitindo a equipes de ajuda levar suprimentos aos civis presos na área.

Os novos confrontos começaram ao alvorecer no campo de Nahr Al Bared, perto da cidade portuária de Trípoli (norte do Líbano), e arrefeceram durante a tarde (horário local). O Exército ataca a Fatah al-Islam, pequeno grupo sunita que se inspira na Al Qaeda e se estabeleceu no ano passado no campo.

Os conflitos diminuíram depois que o grupo disse que suspenderia os combates se o Exército fizesse o mesmo. A Organização das Nações Unidas (ONU) aproveitou a trégua para entregar alimentos, água e suprimentos médicos no campo.

Civis também valeram-se do momento mais calmo para fugir, acenando bandeiras brancas de dentro de seus carros.

Um militante da Fatah al-Islam detonou explosivos presos a seu corpo em um prédio de Trípoli, segundo uma fonte de segurança. O prédio estava vazio. O grupo tem pouco apoio local, mas o poder de fogo do Exército voltado contra o campo começou a irritar os palestinos.

- Já vimos muitas guerras, mas nunca um bombardeio desse jeito. Áreas inteiras foram destruídas. As crianças não têm leite, água nem pão. Por causa de 10, 20 ou 30 indivíduos, um campo inteiro está sendo massacrado - disse Jamal Laila, de 40 anos, chorando.

No mesmo telefone, Aisha Laila, 40 anos, contou que seu bebê de 5 meses está sem leite e três outras crianças ficam encolhidas num canto enquanto bombas caem em casas vizinhas.

- Talvez esses da Fatah al-Islam estejam aqui. Mas não os conhecemos e não sabemos quem são. Por que estamos sendo bombardeados?'

Pelo menos 22 militantes, 32 soldados e 27 civis morreram desde o início dos confrontos entre o Exército e a Fatah al-Islam, no domingo, na pior onda de violência interna no país desde o fim da guerra civil (1975-90). Além disso, 55 soldados ficaram feridos.