Inteligência escuta conversas que atentem contra caráter judeu
Agência EFE
JERUSALÉM - O serviço de inteligência interior israelense, o Shin Bet, realiza ações de vigilância, como escutas telefônicas de cidadãos que, mesmo agindo dentro da lei, possam atentar contra o 'caráter judeu' de Israel.
O chefe do Shin Bet, Yuval Diskin, fez esta revelação em carta enviada no domingo a duas organizações de defesa dos direitos civis, Adalah, da minoria árabe, e a Associação para os Direitos Civis em Israel.
O Shin Bet desempenha um 'papel essencial' na vida israelense, 'e por isso foram concedidos a ele amplos poderes', afirma a carta, publicada na edição desta segunda-feira do jornal 'Ha'aretz'.
A organização é responsável por preservar os valores fundamentais de Israel como Estado 'judeu e democrático', por isso deve proteger "de ameaças subversivas o sistema democrático de Governo e suas instituições'.
Após reconhecer que 'subversivo' é um termo 'vago', Diskin explica que o organismo o considera aplicável a atividades que "buscam mudar os valores básicos do Estado, abolindo seu caráter democrático ou judeu'.
O Shin Bet tem direito a usar todas as ferramentas a seu alcance contra as atividades subversivas ilegais, mas não pode recorrer a medidas coercitivas quando são legais, como uma mera manifestação por telefone.
Neste último caso, os agentes têm a obrigação de reunir informações 'para assegurar que esta ação não se transforme em ilegal ou promova ações ilegais', e para isso recorrem a escutas telefônicas que permitam 'revelar o que se esconde após esta atividade' verbal, afirma Diskin.
As escutas telefônicas levaram a Polícia israelense a acusar o ex-deputado árabe-israelense Azmi Bishara de alta traição ao Estado e espionagem por ter supostamente ajudado a milícia xiita Hisbolá durante o conflito do ano passado no Líbano.
A vigilância a Bishara, que deixou Israel pouco após o início da investigação, em 22 de março, e as denúncias de que todos os telefones particulares de deputados árabes estão grampeados se tornaram motivo de atrito entre a maioria judaica e os árabes que vivem em Israel.
Freqüentemente acusados de serem 'subversivos e traidores', os deputados dos partidos árabes exigem que Israel seja 'um Estado de todos os cidadãos' e que elimine as discriminações que os árabes - mais de um milhão de pessoas - sofrem em sua vida cotidiana e na distribuição dos orçamentos públicos.
Já os legisladores da maioria judaica defendem o 'caráter judeu e democrático' de Israel e a conservação de sua identidade de Estado judeu, segundo a ata de sua proclamação, em 1948, em virtude de uma resolução da Assembléia Geral das Nações Unidas.
Uma pesquisa realizada há um mês revelou que a maioria dos árabes israelenses aceitaria que Israel mantivesse sua condição de Estado judeu e seus símbolos (bandeira, hino) se as discriminações fossem eliminadas.
