Intelectuais israelenses denunciam 'boicote acadêmico' a palestinos
Agência EFE
JERUSALÉM - Professores universitários e intelectuais israelenses ensinaram um abaixo-assinado que denuncia o "boicote acadêmico' aos estudantes palestinos desde o início da Segunda Intifada, em 2000, informou a ONG israelense de direitos humanos que promove a iniciativa.
- Enquanto tentamos evitar um boicote acadêmico a Israel (na Inglaterra), o próprio país está levando a cabo uma política que continua negando totalmente o direito à educação e à liberdade acadêmica dos estudantes palestinos, diz a carta, promovida pelo Centro Legal para a Liberdade de Movimentos (Gisha).
Os escritores israelenses Amos Oz, David Grossman, Natan Zach e A.B. Yehoshua assinaram a carta, que será entregue ao Ministério da Defesa, disse nesta segunda-feira à Efe a diretora da organização, Sari Bashi.
Dois dos sete reitores de universidades israelenses também aderiram, assim como metade dos seis acadêmicos que foram à Inglaterra para protestar contra uma proposta de boicote aos professores israelenses nas universidades inglesas, acrescentou. O resto ainda não respondeu.
Desde o início da Segunda Intifada, por ordem do Exército israelense que alega motivos de segurança, os estudantes da Faixa de Gaza não podem freqüentar cursos universitários na Cisjordânia, onde fica a maioria das universidades palestinas.
Isto impede que os jovens de Gaza estudem determinadas carreiras básicas, como Medicina ou Terapia Ocupacional, só ministradas na Cisjordânia. As restrições são aplicadas pelo Exército coletivamente e não em função do perfil individual dos candidatos, explicou Bashi.
Além disso, desde um ano atrás, os palestinos não têm mais acesso às universidades israelenses. O Exército continua pedindo prorrogação ao prazo de entrega de uma lista com os critérios que permitiria esta mobilidade estudantil.
A carta, enviada aos intelectuais no último dia 10, foi promovida junto com o início do prazo de inscrição nas faculdades.
