Bush não tem novos cúmplices em sua luta contra Cuba, diz Granma
Agência ANSA
HAVANA - Os Estados Unidos, cujo presidente George W. Bush desejou ontem a Cuba um futuro de "liberdade", insiste em sua obsessão de derrotar a revolução, mas "não encontra mais cúmplices para isso", publicou hoje o jornal oficial cubano, Granma.
Após "quase meio século de hostilidade manifesta, Washington continua obcecado com a idéia de derrotar este 'mau exemplo' que é a Revolução cubana e não encontra mais cúmplices que invistam nisso", afirma o artigo "Para agradar ao império" de Manuel Yepe, do Instituto de Relações Internacionais.
Ontem, Bush desejou a Cuba um futuro de "dignidade, liberdade e oportunidade" em uma mensagem de comemoração pelo dia 20 de maio, que é celebrado por Washington e setores da oposição caribenha como o dia da independência e que Havana festeja em 1º de janeiro, em coincidência com o triunfo revolucionário.
O presidente norte-americano criou uma "Comissão de Ajuda a uma Cuba Livre" e endureceu o bloqueio com restrições em 2004 com o início do "Plano Bush" que ontem, 20 de maio, completou seu terceiro ano de existência.
- O desejo de justiça, liberdade e direitos humanos pode ser adiado, mas nunca negado - disse Bush no comunicado sobre Cuba que, desde julho de 2006, está sob o governo interino de Raúl Castro, após Fidel ter sido submetido a uma cirurgia.
A política de Washington "está sujeita a obsessões cada vez mais distantes da objetividade" e "até a comunidade de inteligência norte-americana está de mãos atadas por um ambiente político que premia apenas os que dizem ao governo o que este quer ouvir sobre a realidade cubana", continuou a nota divulgada pelo Granma, órgão oficial do Partido Comunista.
O artigo fustigou a "incrível obsessão" da Casa Branca para derrocar a revolução para a qual, disse, "os Estados Unidos dedica a cada ano não menos de 35 milhões de dólares para atacar Cuba no terreno da informação, com bloqueio econômico, agressões terroristas encobertas e ameaças militares".
- Embora a maior parte dos fundos governamentais (dos Estados Unidos) destinados a programas anti-castristas são distribuídos por meios de contratos, que vão parar na indústria anticubana que prospera em Miami, Washington, Madri, Europa e algumas capitais da América Latina, uma pequena parte serve para remunerar em Cuba seus 'dissidentes' locais - disse Yepe.
Havana considera os dissidentes da ilha como "mercenários" financiados pelos Estados Unidos e não os distingue.
Entre as organizações através das quais os Estados Unidos "financia" entidades anti-castristas a nota menciona especialmente a Fundação Nacional para a Democracia (NED) que nas últimas duas décadas "distribuiu quase 14 milhões de dólares para apoiar programas de promoção da democracia em Cuba" e a Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (Usaid).
Yepe mencionou também o "Grupo Internacional para a Responsabilidade Social Corporativa", criado na Espanha com as filiais na Europa e América Latina "para fustigar e dissuadir as empresas européias para que não invistam em Cuba" e que "recebeu mais de 200 mil dólares em seu primeiro ano de trabalho".
O Granma também denunciou o "Diretório Democrático Cubano", com filiais no México e Argentina, que realiza atividades em vários países latino-americanos e na Europa e que recebeu desde 2004 "mais de US$ 6 milhões" por intermédio da Usaid e NED.
