Bush elogia senadores por acordo inicial da reforma migratória
Agência EFE
WASHINGTON - O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, elogiou neste sábado os senadores americanos por chegarem a um acordo conjunto com a Casa Branca, que abre o caminho para uma reforma migratória integral no país.
- Sou consciente de que muitos têm fortes convicções neste assunto, e alcançar um acordo não foi fácil, disse o chefe de Estado durante seu discurso dos sábados, no qual agradeceu 'os esforços dos senadores para definir a importante legislação'.
O compromisso acordado na quinta-feira, após meses de negociações entre democratas, republicanos e a Casa Branca, ainda deverá ser aprovado por ambas as Câmaras do Congresso para se transformar em lei, mas representa um grande passo ao refletir um consenso bipartidário sobre os termos do debate.
A iniciativa procura, entre outras coisas, garantir status legal a milhões de imigrantes ilegais, reforçar a segurança fronteiriça e criar um programa para trabalhadores temporários.
O Senado deve começar o debate sobre o documento de mais de 300 páginas esta segunda-feira. Está previsto que as conversas se prolonguem durante várias semanas.
Qualquer versão que saia do Senado terá que ser harmonizada com a aprovada na Câmara de Representantes.
Bush aproveitou hoje para dar um novo impulso ao projeto da reforma migratória, que quer transformar no principal legado do seu segundo mandato.
- Este (acordo) nos aproxima de um sistema migratório que permita o cumprimento das leis, ao tempo que mantém a grande tradição americana de dar as boas-vindas aos que compartilham nossos valores e nosso amor pela liberdade, afirmou Bush.
O presidente destacou os pontos do projeto de lei ao destacar, "primeiro', que requereria 'uma forte segurança fronteiriça (...) antes que se implementem outros elementos da legislação'.
Em uma clara concessão à ala conservadora do Partido Republicano, o plano prevê a 'duplicação do número de agentes da Patrulha Fronteiriça; a melhora da estrutura na fronteira e camas suficientes nos centros de detenção para que todos os detidos possam ser retidos e devolvidos a seus países'.
Bush lembrou que serão melhorados os sistemas de verificação a autenticidade das permissões de trabalho.
- O cumprimento desses objetivos desencadeará outras cláusulas da reforma integral, como o programa de trabalhadores temporários e a legalização dos imigrantes ilegais, afirmou.
O programa de trabalhadores temporários concederia 400 mil vistos "Y' por ano, mas com esses documentos os beneficiados só poderiam viver nos Estados Unidos por três períodos separados de dois anos cada um.
O acordo bipartidário também abriria o caminho para que os cerca de doze milhões de imigrantes ilegais já estabelecidos nos Estados Unidos possam receber uma licença de trabalho e solicitar um visto "Z'.
Para que isso seja possível, no entanto, terão que cumprir uma série de requisitos como o pagamento de uma multa de US$ 5 mil, domínio do inglês e falta de antecedentes penais. Além disso, os chefes de família teriam que retornar a seu país antes de obter os papéis.
O acordo também propõe uma mudança fundamental nas prioridades migratórias, pois mudaria um sistema que agora gira em torno da família por outro elaborado fundamentalmente para satisfazer as necessidades das empresas americanas.
Bush disse neste sábado que o acordo poria fim à 'emigração em cadeia', ao limitar o número de parentes que podem receber permissões de residência por meio de um familiar para os maridos e filhos menores de idade.
Apesar da possibilidade de uma reforma migratória voltar a se recuperar, o êxito da iniciativa enfrenta oposição de ambos os partidos político.
Diferentes grupos conservadores sustentam que o projeto é muito favorável para os que violaram a lei. Os setores mais progressistas afirmam que seria difícil de ser colocado em prática e injusto para as famílias.
