Observadores denunciam atuação de militares nas eleições nas Filipinas

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Agência EFE

MANILA - Quatro dias depois das eleições nas Filipinas, e enquanto continuam a lenta apuração dos votos e a violência, observadores estrangeiros denunciaram nesta sexta-feira novas irregularidades, como a perseguição aos eleitores e a intimidação deles por parte de membros do Exército.

Em entrevista coletiva realizada na capital, os observadores condenaram as práticas e lamentaram que as Forças Armadas do país tenham feito, segundo sua opinião, 'o possível para intervir no processo democrático' a favor do Governo e dos partidos governistas, e contra a oposição de esquerda.

Vários integrantes da delegação ficaram sabendo que oficiais militares chegaram a organizar 'reuniões' para desqualificar os partidos, diretamente relacionados pelo Exército com o Partido Comunista das Filipinas, na ilegalidade, e seu braço armado, o Novo Exército do Povo (NEP).

Durante os encontros, que chegaram a reunir cerca de 400 pessoas, os soldados exibiram imagens de ativistas e cenas de vítimas e atentados do NEP e instaram os presentes a não apoiarem os partidos progressistas.

A missão 'popular' de observadores, que não inclui diplomatas nem representantes oficiais, vinculou esta atitude dos militares com a que tiveram em relação às execuções extrajudiciais, que mataram mais de 850 pessoas desde janeiro de 2001, segundo as organizações de direitos humanos.

Os observadores se reuniram com dezenas de eleitores durante e depois do dia de votação.

Muitos deles declararam que os soldados tinham visitado residências para perguntar às famílias quem elas iriam apoiar e se conheciam os líderes progressistas locais, disse Elizabeth Hendrickson, missionária americana que viajou para a ilha de Cebu, no sul do país.

Segundo o professor australiano Gill Boehringer, que fez parte do grupo deslocado à região de Compostela Valley, em Mindanao, ilha do sudeste do arquipélago, a presença em massa de soldados nos colégios eleitorais 'elimina toda a imparcialidade' de um processo supostamente democrático.

Boehringer mostrou ainda um cartaz assinado por militares que acusava organizações de esquerda como o Bayan Muna (O Povo Primeiro), o Anakpawis (Filhos do Suor) e o feminista Gabriela de ser a frente oculta da guerrilha comunista.

Segundo o professor, era comum encontrar mensagens como esta em toda a província, e isto mostra que o objetivo das Forças Armadas é tirar os grupos do espaço político e negar a seus simpatizantes o direito de serem representados por eles.

E em Metro Manila, onde o Exército tinha anunciado desde o ano passado a retirada de seus efetivos postados nos bairros pobres e de maioria muçulmana, os habitantes das regiões contaram a eles que alguns dos soldados continuaram ali vestidos à paisana.

Segundo os observadores, a militarização oculta na capital se manteve durante o dia de votação sem nenhuma intervenção da Comissão Eleitoral.

Ao todo, 27 delegados vindos de 12 países participaram da missão observadora e visitaram colégios eleitorais em sete províncias.

A influência de elementos das Forças Armadas durante a campanha também foi denunciada há dois dias pelos observadores estrangeiros na Região Autônoma do Mindanao Muçulmano, que compararam a presença militar com o destacamento de forças de segurança nas eleições que também supervisionaram no Afeganistão.

Estão sendo disputados no processo eleitoral todas as cadeiras do Congresso, a metade das do Senado e cerca de 17 mil cargos provinciais, municipais e locais. Os nomes dos vencedores serão divulgados dentro de algumas semanas, quando acabar o caótico sistema de apuração.